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Câmara de Ilhéus - Acompanha sessões remotas

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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

O adoecimento psíquico de crianças por uso de telas


O fenômeno necessita de atenção da sociedade, principalmente pós pandemia quando a utilização de telas aumentou devido o isolamento social. Atualmente com a modificação da forma de utilização das mídias digitais celulares, tablets e outros dispositivos que cabem na palma da mão, modificaram nossa forma de comunicação e de existência no mundo. Na falta desses dispositivos podemos inclusive desenvolver uma condição chamada no-mobile, onde a pessoa possui crises de ansiedade frente a falta do dispositivo sendo necessário que se busque imediatamente o aparelho para que se tenha a redução do sofrimento. Hoje vamos tratar dos problemas descrito na literatura sobre o excesso de uso ao longo do tempo, que atualmente se tornou um comportamento social.

O tempo de tela é entendido como o tempo total pelo qual a criança faz uso das telas. O tempo de uso superior ao tempo recomendado que de acordo com a American Academy of Pediatrics (AAP), seria por volta de duas horas por dia. Além disso, o conteúdo deve ser criteriosamente escolhido pelos pais, visto que a internet possui muitos conteúdos não educativo e que não estão adequado a faixa etária. O aumento de tela aumentou na sociedade visto que os diversos ambientes atualmente expõe as crianças a multitelas, com muita informação e estímulos. Assim o tempo de exposição à tela é considerado um fator de risco para a saúde da criança.
O uso de telas pode gerar vulnerabilidades para algumas doenças, tais como: obesidade infantil, hipertensão, ansiedade, depressão, bem como diminuição das relações sociais e afetivas, tão importantes para a criança e adolescente. O tempo de exposição também facilita o uso de conteúdos impróprios e hoje já se associa a atrasos nos domínios da linguagem e desenvolvimento motor fino. As crianças do mundo contemporâneo são considerados nativos digitais e ficam imersos nessa condição cada vez mais cedo. Sabemos que os avanços tecnológicos são favoráveis a humanidade quando utilizados de forma correta. A forma de viver e se comunicar se condicionou ao uso da tecnologia que tem no recurso visual e auditivo, presentes nas telas um atrativo para as crianças e adolescentes. Mas atualmente até os adultos estão imerso nessa cultura.

Principais problemas que a criança e o adolescente podem ter pelo excesso do uso de telas:
Alterações no comportamento alimentar;
Distúrbios alimentares com Ganho ou perda de peso;
Sedentarismo e diminuição de prática de atividades físicas importantes para o desenvolvimento;
Distúrbios do sono;
Dificuldades de interação social e familiar;
Diminuição do rendimento escolar;
Dificuldade de aprendizagem;
Diminuição da auto estima;
Ansiedade, depressão e agressividade;
Alteração severa no comportamento.
Dependência Digital e Uso Problemático das Mídias Interativas;
Transtornos do déficit de atenção e hiperatividade;
Bullying & cyberbullying;
Riscos da sexualidade, nudez, sexting, extorsão, abuso sexual, estupro virtual;
Aumento da violência, abusos e fatalidades;
Problemas visuais diversos e síndrome visual do computador;
Problemas auditivos, diminuição auditiva pelo uso de fones e alta frequência sonora;
Transtornos posturais e musculoesqueléticos;
Aumento do comportamento de automutilação e suicídio;
Aumento do uso de álcool e outras drogas no adolescente.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) já se pronunciou pedindo atenção dos profissionais de saúde para o problema. Informa que a sociedade precisa discutir a temática. Os riscos envolvem o desenvolvimento de transtornos psíquicos e problemas comportamentais, sendo abordado no novo CID-11 como dependência digital. A SBP cria um manual de orientações que vamos destacar para melhor compreensão:

Evitar exposição a telas por crianças com menos de 2 anos mesmo que passivamente;
Limitar o tempo de uso de tela em no máximo de 1 hora por dia para crianças entre 1 ano 5 anos de idade;
Limitar o tempo de uso de tela em no máximo 2 horas por dia para crianças entre 6 e 10 anos de idade;
Limitar o tempo de tela e jogos de videogame em no máximo três horas por dia com supervisão. Não sendo possível “virar a noite” jogando para adolescentes entre 11 e 18 anos;
Para todas as idades não é recomendado o uso de telas durante as refeições e não utilizar antes de dormir, sendo necessário desconectar duas horas antes do sono;
Oferecer atividades de utilização do corpo, podendo ser atividades esportivas ou recreativas, ao ar livre com contato direto com a natureza e outras crianças ou adolescentes;

Os estudos mostram que os jogos podem ser educativos, mas também podem gerar agressividade e intolerância da criança e do adolescente com outras pessoas, por isso devem ser melhor avaliado pelos responsáveis. Por isso devemos orientar os país e responsáveis sobre a alfabetização midiática e realizar a mediação parental para capacitar as famílias, escolas e comunidade sobre o uso ético e seguro da internet, levando a uma construção saudável do uso. As famílias devem observar as classificações indicativas.

Podemos enquanto profissionais orientar a criança, o adolescente e a família, mas antes de tudo é necessário acolher a todos e construir um projeto terapêutico singular voltado a subjetividade dos problemas. Dessa forma, o cuidado se faz de maneira mais humana e compreendendo o nível de saber sobre o assunto que a família possui. É importante que o profissional oriente a família a não buscar medidas de violência na tentativa de evitar o uso, nos casos graves de dependência. Para isso, deve haver um projeto que envolvam os diversos atores que podem compor o processo terapêutico.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

A polêmica por trás da estética que faz camiseta do Brasil de tendência


Nas últimas semanas, vídeos sobre a brazilcore, brazilian aesthetic ou estética brasileira inundaram as redes sociais, especialmente no TikTok, com uma série de produções e roupas nas cores verde e amarela, que remetem à bandeira do Brasil. Essa movimentação começou depois que várias fashionistas europeias se apropriaram e reproduziram o estilo tradicionalmente usado na periferia e, majoritariamente, discriminado por uma sociedade racista e elitista que, inclusive, sempre marginalizou essa galera. 

A moda da periferia como precursora de tendências: 
Apesar de ser precursora de muitas febres que consumimos hoje, como aquelas que fazem referências aos anos 2000, mais conhecidas como Y2K, o surgimento de novas tendências nunca é direcionado para as periferias. Quando isso acontece, é sempre em uma posição subalterna, vista como inferior e feia, pelo menos quando se tratam de corpos racializados e periféricos vestindo. Mas, do contrário, é lindo e maravilhoso, como as tranças em pessoas brancas.

Esse comportamento também se reflete em quem produz conteúdos e escreve sobre moda através de uma perspectiva elitizada e excludente. Em março desde ano, por exemplo, para onde estavam voltados os olhos de quem consome notícias de moda quando a marca Piña, do estilista carioca Abacaxi, fez um desfile nas ruas de Madureira, com peças cheias de recortes cut-out, amarrações, transparência e combinações de cores como verde e amarelo e azul e branco e, claro, a bandeira do Brasil?

Para a historiadora e comunicadora Giovanna Heliodoro, “brazilcore” é o nome dado para uma estética que, mais uma vez, surge nas favelas. “[Essa tendência] só passa a ser reconhecida quando as pessoas brancas e ou da ‘elite da moda’ passam a utilizá-la. Não é de hoje que, entre becos e vielas, vejo muitos jovens usando camisetas do Brasil ou de outros times esportivos do mundo afora. Infelizmente, quando os nossos usam é feio, brega e démodé, mas precisamos reconhecer que, dentro da favela, surgem muitas tendências que nem sequer são reconhecidas como moda”, opina Giovanna em comentário em publicação no Instagram. 

“Historicamente dizendo, isso não é nada recente, mas por [2022] ser um ano de Copa do Mundo e de eleições, o assunto se tornou mais potente lá no Twitter. Só que é importante lembrar que a bandeira do Brasil não é partidária; é um bem coletivo que foi tomado pela direita e nós precisamos nos reaproveitar disso”, finaliza. Como afirma o idealizador da Piña, quem foi que disse que a bandeira do Brasil não é nossa? 

Despolitizando e ressignificando as cores do Brasil:
Em um cenário político nacional em que, nos últimos quatro anos, a bandeira e camiseta do Brasil foram tomados pela direita, despolitizar e ressignificar as cores da bandeira brasileira é, sim, um ato urgente e revolucionário.

Para o rapper Djonga, que já usou a camiseta da seleção brasileira em seus shows em posição contrária ao atual governo, despolitizar o que foi politizado também é revolucionário. Durante uma apresentação no Mineirão, em abril deste ano, o cantor disse que “eles se apropriam do tema, do nosso hino, de tudo”, mas reforça que “tudo é nosso e nada deles”.

A cantora Anitta também deu um novo sentido para as cores da bandeira em sua apresentação no Rock in Rio Lisboa, mas, neste caso, ela quis representar a cultura do funk e da periferia brasileira nos palcos europeus.

Justiça determina que dívidas não prescrevem após 5 anos


Os cidadãos inadimplentes podem ser cobrados por uma dívida depois de cinco anos, segundo decisão da 17ª Câmara de Direito do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). A cobrança poderá ser feita de forma administrativa e amigável, sem ação judicial, e o nome do devedor poderá figurar nos cadastros de proteção ao crédito.

Decisão
A decisão foi tomada em processo aberto em julho de 2021, no qual uma consumidora pedia que fosse respeitado o prazo de prescrição da dívida, de até cinco anos, conforme o artigo 206 do Código Civil, além da retirada de seu nome dos cadastros de inadimplentes.

Em primeira instância, o tribunal deu ganho de causa à cidadã, mas a empresa recorreu e a Justiça decidiu que a dívida não deixa de existir e pode, sim, ser cobrada, desde que não constranja o devedor.
A trabalhadora foi à Justiça contra uma empresa de cobrança que representava uma grande rede de lojas de varejo e estava cobrando uma dívida de 2013, no valor de R$ 432,43. Os advogados da consumidora alegaram, em seus argumentos, que a prescrição da dívida havia ocorrido em 2018 e, por isso, a cobrança não poderia mais ser feita.

Na ação, o pedido era para que se cancelasse a dívida, além de obrigar a empresa a retirar seu nome dos cadastros de devedores. A cidadã também pedia dano moral pelas ligações de cobrança. Na primeira instância, o juiz atendeu parcialmente os pedidos, negando o dano moral.

No recurso, no entanto, houve ganho de causa para a empresa, com entendimento de que o Código Civil não determina a inexistência da dívida, mas apenas trata sobre a cobrança. Para o advogado Cauê Yaegashi, sócio-diretor da Eckermann Yaegashi Santos Sociedade de Advogados, que defendeu a empresa de cobrança, a decisão foi acertada.

Segundo o escritório, o Judiciário seguiu a tese de que não se pode determinar que uma dívida deixa de existir após determinado prazo, levando alguns consumidores a não pagar os valores no prazo, esperando apenas a data final para que o débito desapareça.

"Todo mundo pensa que 'caduca', e o 'caducar' seria se livrar da dívida. Mas isso não acontece, ela continua existindo. O credor só não pode mais utilizar o Poder Judiciário depois de cinco anos. Para nós, o objetivo foi atingido. O desembargador reconheceu a efetividade da lei", diz Yaegashi.

"A relação credor - devedor nunca vai deixar de existir, a não ser que a dívida seja paga ou que o credor perdoe", afirma o advogado. O advogado Ruslan Stuchi, especialista na área cível e sócio do Stuchi Advogados, também reconhece que as pessoas realmente têm esse entendimento de que a dívida some após cinco anos, o que não ocorre. "A dívida não deixa de existir e pode figurar nos órgãos de proteção ao crédito durante toda a vida, apontando a inadimplência", diz.

O tema, porém, é controverso. Embora existam decisões defendendo que não há prazo para o débito deixar de existir, há muitas outras que garantem ao consumidor o direito de seu nome ser retirado dos cadastros de inadimplentes.

FUJA DA INADIMPLÊNCIA
1. FAÇA AS CONTAS PARA ENTENDER SUAS DÍVIDAS

Faça uma lista de todas as contas e parcelas atrasadas, com os respectivos valores. Coloque no topo da lista aquelas que você precisa quitar primeiro, porque são essenciais, como contas de água e luz, por exemplo, ou porque custam mais, como cartão de crédito e cheque especial
Depois, é preciso saber quanto terá disponível em cada mês para pagar os atrasados, considerando as demais despesas que você já possui
2. NEGOCIE COM OS CREDORES

Procure as empresas para as quais deve e tente negociar. Não aceite a primeira proposta, mas entenda como está sendo a negociação: Qual o percentual de desconto sobre o total da dívida? Se pagar à vista, há desconto maior? Se parcelar, quantos são os juros?
Defina um objetivo, o valor que poderá dispor e faça contrapostas
Se ainda ficarem dúvidas, peça que a proposta de negociação seja feita por escrito. Vá para casa, converse com a família e volte depois para bater o martelo e assinar o contrato de renegociação
3. ORGANIZE-SE PARA NÃO CONTINUAR DEVENDO

Ao fechar o acordo, saiba que é preciso cumpri-lo até o final, portanto, negocie apenas valores que pode pagar com a renda que já tem
Para garantir que não tenha mais dívidas negativadas em seu nome, aposte no planejamento financeiro, equilibre seus ganhos e gastos mensais. Faça uma planilha e envolva toda a família nesse controle e no esforço para economizar. (CRISTIANE GERCINA/Folhapress)
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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Evangélicos têm engajamento maior que eleitores católicos, diz especialista

Em entrevista à CNN neste domingo (21), Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, disse que os eleitores evangélicos têm uma característica muito específica nas eleições, que é um grau de engajamento maior do que eleitores de outras denominações religiosas.

“Os evangélicos têm uma capacidade de engajamento e amarração dos votos muito maior do que os eleitores católicos. O que a gente tem visto são lideranças religiosas mais engajadas em recomendação para seus fiéis”, disse.

Segundo ele, enquanto 18% dos católicos recebem algum tipo de orientação de votos nas igrejas ou templos, o número entre os evangélicos é de 28%. “Ou seja, os evangélicos discutem mais política dentro da igreja do que os católicos”, disse.

Meirelles avalia que “a vantagem do ex-presidente Lula em relação ao presidente Jair Bolsonaro em intenções de votos entre os católicos, é maior do que a do Bolsonaro frente ao Lula entre os evangélicos. E os católicos representam uma parcela maior da sociedade brasileira do que os evangélicos”.

“Então, essa tentativa da campanha de Lula para essa parcela do eleitorado é ter uma mensagem clara de respeito à crença e a fé desses eleitores [evangélicos]”, disse.

A campanha do ex-presidente Lula apresentou uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no sábado (20) em que pede à Corte a inclusão de novos endereços de redes sociais pertencentes ao candidato, todos direcionados ao ao eleitor evangélico. A informação foi revelada pelo jornal “Folha de S.Paulo” e confirmada pela CNN.

Quando questionado sobre se o tempo de campanha eleitoral na TV aberta pode influenciar os resultados das pesquisas, o presidente do Instituto Locomotiva diz que a maior parcela do eleitorado que já decidiu os votos se informada pelas redes sociais.

No entanto, “quando olhamos o eleitor que não declara voto nem em Lula e nem em Bolsonaro, são eleitores que se informam, majoritariamente, pela televisão”, afirmou.

Meirelles destaca ainda o papel da imprensa profissional no combate às notícias falsas.

“A busca pela verdade nunca foi tão importante para a garantia da democracia. As fake news terão uma importância na influência dos votos e a única forma de corresponder a isso é deixar a opinião pública bastante atenta”, disse.

(Publicado por Ingrid Oliveira)

Fernando Molica: Voto evangélico reflete desconfiança em relação ao Estado


Mais do que sintoma exacerbado da fé no sobrenatural, o voto por influência religiosa revela falta de confiança nos poderes constituídos na Terra e, no caso brasileiro, também dá pistas sobre caminhos espirituais e profissionais traçados por uma parte da sociedade que sempre se soube desprezada.

A concessão, por parte de Jair Bolsonaro (PL), de muitos favores a igrejas evangélicas ajuda a entender o engajamento de seus líderes na campanha de reeleição do presidente, mas não permite explicar o que faz com que milhões e milhões de pessoas sigam a orientação eleitoral de seus pastores.

Estes fiéis são trabalhadores, não foram contemplados com isenções fiscais, não intermediaram obras e serviços, não tentaram vender vacinas, não ganharam gabinetes informais no Ministério da Educação — mas, segundo o Datafolha, 49% deles estão com Bolsonaro, contra 32% que pretendem votar no ex-presidente Lula (PT).

Setores mais ortodoxos presentes na esquerda e na direita tendem a ver evangélicos como invasores, penetras em uma festa para a qual não haviam sido convidados. Esta atitude que apenas reforça o sentimento de exclusão compartilhado por esses fiéis, que durante séculos foram vítimas de preconceito por parte da hegemonia católica. Uma discriminação que fortaleceu os laços entre protestantes e até hoje gera entre eles uma desconfiança em relação aos que não professam a mesma fé.

Nos últimos 60 anos, o processo de urbanização explodiu: em 1960, 44% dos brasileiros viviam em cidades, percentual que pulou para 84% em 2010. Em busca de uma vida melhor, dezenas de milhões de pessoas deixaram o campo e seus laços familiares e passaram a inchar favelas e periferias de centros urbanos.

Desenraizados, expostos a uma modernidade agressiva, que questiona quase todos os seus valores, vítimas de um Estado que lhes nega direitos básicos, muitos desses migrantes encontraram em igrejas evangélicas espaços de solidariedade, de reafirmação de princípios e, mesmo, de reestruturação familiar. Não se pode desprezar o efeito positivo em uma família quando um dos de seus integrantes, geralmente o homem, deixa de beber.

Diferentemente da grande maioria dos templos católicos, muitas das igrejas evangélicas são simples, estão na dimensão dos fiéis, e conservam as portas abertas durante quase todo o dia.

Ao ser chamado de irmão, aquele homem ou aquela mulher ganha novos parentes e se reinsere em uma família que, como a original, cultiva valores rejeitados pelos que não “aceitaram” Jesus, aqueles que os olham do alto, que os ironizam e ridicularizam.

A atitude de pentecostais de atribuir males a poderes externos facilita a integração a uma nova vida: a culpa das mazelas não é do filho que usa drogas, da filha que engravida ainda adolescente, do marido que não arruma emprego, do governo que não entrega escola ou hospitais. A culpa é do demônio — a prioridade, portanto, é derrotá-lo. A explicação é precária, mas tem o poder de apontar algum caminho.

Mas além da dimensão comunitária, o evangélico tende a trabalhar com o crescimento individual; longe de ser pecado, enriquecer é uma benção divina. Uma lógica que se encaixa de maneira quase perfeita em sociedades que, nas últimas décadas, diminuíram salários e empregos, enfraqueceram os vínculos e benefícios trabalhistas e que, até pela influência das novas tecnologias, incentivaram a atividade solitária — o “se vira aí”.

Até por falta de alternativas, muitos e muitos jovens pobres se converteram a uma ideia de empreendedorismo, ainda que esta iniciativa esteja precariamente equilibrada nas rodas de bicicletas e motos usadas para entregas. O mecanismo de ascensão individual incentivado pelas igrejas promete entregar o que o Estado negou: emprego, habitação, saúde, segurança, bem-estar; vitórias particulares, como as tantas narradas em parábolas bíblicas.

Impulsionados, desde os anos 1980, pelos ventos que sopravam da chamada ala progressista da Igreja Católica, Lula e o PT demonstram alguma dificuldade de entender que, cansada de enfrentar tantos perrengues e barreiras, boa parte da população mais pobre trocou o sonho da carteira assinada pelo objetivo, ainda que incerto e duvidoso, de criar uma saída individual.

Nesta luta, as promessas da Teologia da Prosperidade cultivadas em milhares de igrejas pulverizadas parecem fazer mais sentido que o paraíso coletivista e centralizador da Teologia da Libertação.

Candidata do Pará diz ter sido intimada pelo TRE por foto com turbante


A candidata a deputada estadual pelo PSOL, Lívia Noronha, diz ter sido intimada, na última terça-feira (16), pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará por utilizar um turbante na foto que irá aparecer nas urnas. Na intimação, o órgão eleitoral não aponta o motivo da irregularidade da imagem enviada no registro de candidatura.

A decisão expedida pelo juiz Diogo Seixas Condurú se baseia no art. 27, II, d, da Resolução TSE n 23.609/2019, em que a fotografia da candidatura deve possuir características de imagem “frontal (busto), com trajes adequados para fotografia oficial, assegurada a utilização de indumentária e pintura corporal étnicas ou religiosas, bem como de acessórios necessários à pessoa com deficiência; vedada a utilização de elementos cênicos e de outros adornos, especialmente os que tenham conotação de propaganda eleitoral ou que induzam ou dificultem o reconhecimento do candidato pelo eleitorado.”

Lívia, no entanto, entende que a intimação é fruto do racismo estrutural presente nas eleições. Os advogados da candidata afirmam que além da intimação que indica inconsistência na fotografia, esclarecimentos deveriam ser feitos em relação ao uso do turbante. Em nota enviada ao TRE-PA, a defesa ainda pontuou que “a foto com o Turbante traz a identidade da candidata perante seus eleitores, bem como a ressignificação do ato de manifestação política, resistência, cultura, afronta e reconhecimento(…). O turbante não pode ser considerado mero acessório ou enfeite de moda.”
Em nota, o TRE-PA afirma que a contestação em relação à imagem da candidata “ocorreu por estar em desconformidade com o parâmetro de enquadramento estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral. A regra determina que a fotografia seja, dentre outras especificações, em enquadramento frontal (busto).” Ainda disseram que a candidata reenviou a foto, com os devidos ajustes, mas que, assim como todos os outros registros de candidatura, o processo seguirá para julgamento.