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segunda-feira, 16 de maio de 2022

O que fazer para melhorar a inclusão nas escolas?


A inclusão de alunos com deficiência nas escolas brasileiras tem se constituído em um desafio para as instituições de ensino e os educadores, assim como, em alguns casos, tem se tornado um drama para as famílias dessas crianças e jovens. Os profissionais de ensino sentem-se despreparados e sem apoio para atender os alunos com deficiência, enquanto os pais e mães peregrinam para encontrar uma escola que reconheça e respeite os direitos educacionais dos seus filhos.

Foi ouvindo relatos emocionados de mães e pais que participam do Grupo de Formação Todos Juntos, um grupo de trabalho de inclusão da escola na qual sou diretor, que eu resolvi escrever este texto. No encontro do último dia 30 de setembro, pais e mães descreveram as situações enfrentadas para defender o direito dos seus filhos de frequentar a escola. Em alguns casos, eram relatos de cenas degradantes que caracterizavam flagrante desrespeito aos estudantes e suas famílias.

A partir dessas histórias ficou evidente que a inclusão nas escolas comporta graus de responsabilidade em múltiplas dimensões (políticas públicas, gestão escolar, pedagógica e familiar) e que é possível, no âmbito da unidade educacional, criar condições para que as crianças e jovens sejam bem atendidos e as famílias sintam-se acolhidas.             

Um pouco da história de inclusão na rede paulistana

Em 1951, foi criado na cidade de São Paulo o 1º Núcleo Educacional para Crianças Surdas, que depois passou a se chamar Escola Municipal de Educação Infantil e de 1º Grau de Deficientes Auditivos, e atualmente é denominada EMEBS Helen Keller. Entre o final da década de 1980 e início de 1990 são elaboradas diretrizes que orientam a política municipal paulistana de Educação Especial, propondo o apoio à escolarização de crianças com deficiência em classes comuns.

Em 2004, uma década depois da Declaração de Salamanca – Resolução da Nações Unidas que define princípios, políticas e práticas em Educação Especial –, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo regulamentou a sua política para este fim, por meio do Decreto nº 45.415 e da Portaria nº 5.718.

Os profissionais de ensino sentem-se despreparados e sem apoio para atender os alunos com deficiência, enquanto os pais e mães peregrinam para encontrar uma escola que reconheça e respeite os direitos educacionais dos seus filhos    Crédito: Getty Images

A inclusão de alunos com deficiência nas escolas brasileiras tem se constituído em um desafio para as instituições de ensino e os educadores, assim como, em alguns casos, tem se tornado um drama para as famílias dessas crianças e jovens. Os profissionais de ensino sentem-se despreparados e sem apoio para atender os alunos com deficiência, enquanto os pais e mães peregrinam para encontrar uma escola que reconheça e respeite os direitos educacionais dos seus filhos.

Foi ouvindo relatos emocionados de mães e pais que participam do Grupo de Formação Todos Juntos, um grupo de trabalho de inclusão da escola na qual sou diretor, que eu resolvi escrever este texto. No encontro do último dia 30 de setembro, pais e mães descreveram as situações enfrentadas para defender o direito dos seus filhos de frequentar a escola. Em alguns casos, eram relatos de cenas degradantes que caracterizavam flagrante desrespeito aos estudantes e suas famílias.

A partir dessas histórias ficou evidente que a inclusão nas escolas comporta graus de responsabilidade em múltiplas dimensões (políticas públicas, gestão escolar, pedagógica e familiar) e que é possível, no âmbito da unidade educacional, criar condições para que as crianças e jovens sejam bem atendidos e as famílias sintam-se acolhidas.             

Um pouco da história de inclusão na rede paulistana

Em 1951, foi criado na cidade de São Paulo o 1º Núcleo Educacional para Crianças Surdas, que depois passou a se chamar Escola Municipal de Educação Infantil e de 1º Grau de Deficientes Auditivos, e atualmente é denominada EMEBS Helen Keller. Entre o final da década de 1980 e início de 1990 são elaboradas diretrizes que orientam a política municipal paulistana de Educação Especial, propondo o apoio à escolarização de crianças com deficiência em classes comuns.

Em 2004, uma década depois da Declaração de Salamanca – Resolução da Nações Unidas que define princípios, políticas e práticas em Educação Especial –, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo regulamentou a sua política para este fim, por meio do Decreto nº 45.415 e da Portaria nº 5.718.

Atualmente, as escolas da rede municipal de São Paulo contam mais diretamente com o apoio do Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão (CEFAI), que disponibiliza estagiários remunerados para acompanhar crianças com mobilidade reduzida, e com o/a Professor/a de Atendimento Educacional Especializado (PAEE), a quem compete propiciar a participação efetiva das crianças com deficiência na escola, elaborar e executar o plano de ação específico, orientar os professores e demais profissionais e articular a participação das famílias, da gestão e da coordenação pedagógica no plano de inclusão da unidade escolar.

O que ainda tem prevalecido nas escolas   

As histórias relatadas revelam que as crianças e as suas famílias ainda estão enfrentando dificuldades nas escolas e, às vezes, as pessoas sequer se dão conta do preconceito ou da sua incompreensão sobre o significado da inclusão, como revela D.R., mãe da aluna M.H.:

“[...] Fui surpreendida por uma fala da professora em tom de elogio: ‘Você pegou a M.H. pra criar, mas cuida dela direitinho, ela vem sempre com o cabelo arrumado!’. Diante da fala da professora e do silêncio das coordenadoras, eu fiquei surpresa e receosa, pois sei que preconceito e discriminação não acontecem em categorias isoladas”.

D.R. conta, também, que durante a reunião de pais passou pela seguinte situação:

“[...] Peguei o boletim da minha filha e fui conversar individualmente com a professora. Ela me disse que o conceito ‘Satisfatório’ no boletim da minha filha era devido ao laudo dela. Perguntei ‘Como assim?’ e ela disse que minha filha jamais teria esse conceito se não fosse o relatório médico... E eu me vi diante de uma educadora que fadava minha filha ao fracasso, que sequer enxergava que ela pudesse minimamente acessar o currículo escolar. Era como se o laudo a rotulasse e definisse quem ela era e que eu não me preocupasse, pois o laudo garantia que o conceito dela fosse ‘Satisfatório’”.

Por fim, é importante lembrar que a política de inclusão dos alunos com deficiência é de responsabilidade de vários atores sociais, principalmente dos formuladores e dos gestores de políticas públicas, mas isso não significa que a falha de um justifica a omissão ou a negligencia dos demais, principalmente daqueles que estão na ponta do processo e atendem diretamente esses estudantes.

O que a experiência tem mostrado é que os bons exemplos de inclusão no Brasil vêm de profissionais e instituições que reconhecem o direito à Educação das crianças e jovens com deficiência, ainda que isso não exima a responsabilidade do poder público de criar as condições adequadas para a política de inclusão nas escolas.

Fonte: Claudio Neto / Brasil Escola


Canabidiol e autismo: existe comprovação de eficácia?


Muito se fala sobre o uso do canabidiol (CBD) para o tratamento de pessoas com autismo. De fato, a maioria das pessoas da comunidade, sejam eles autistas, pais, familiares ou cuidadores, já ouviram falar sobre isso. Existem muitos relatos do uso circulando pela internet, mas pouco se fala sobre os estudos a cerca do tema.

Neste artigo, falaremos sobre isso de forma abrangente, respondendo as seguintes perguntas:

O que é o canabidiol?
Canabidiol para que serve?
O uso é do canabidiol é seguro?
Existe comprovação da eficácia terapêutica?O uso no tratamento do autista funciona?
O que dizem os estudos?

Canabidiol e autismo: existe comprovação de eficácia?
Muito se fala sobre o uso do canabidiol (CBD) para o tratamento de pessoas com autismo. De fato, a maioria das pessoas da comunidade, sejam eles autistas, pais, familiares ou cuidadores, já ouviram falar sobre isso. Existem muitos relatos do uso circulando pela internet, mas pouco se fala sobre os estudos a cerca do tema.
O que é o canabidiol (CBD)

É uma das muitas substâncias presentes na planta cannabis, popularmente conhecida como maconha. Essas substâncias presentes na planta são chamadas de canabinoides, e agem sobre o sistema nervoso central.

Os medicamentos à base de cannabis são permitidos no Brasil desde 2020, no entanto, só podem ser adquiridos com prescrição médica. Apesar de ser extraído da maconha, o canabidiol (CBD) não produz efeitos de euforia e outros ligados ao uso recreativo da planta, pois durante a extração do CBD são filtradas e descartadas outras substâncias, como o Tetrahidrocanabinol (THC) por exemplo, que são responsáveis por tais efeitos.1

Canabidiol para que serve?

O potencial terapêutico do canabidiol pode beneficiar pacientes que tenham problemas como: ansiedade, insônia, epilepsia, dor crônica, etc. No entanto, ainda faltam estudos que esclareçam os mecanismos por trás desses benefícios e quais as dosagens mais adequadas para cada caso.

Estudos sugerem que o óleo de canabidiol pode auxiliar no tratamento da epilepsia. Isso certamente é animador para famílias com autistas que tenham essa comorbidade tão comum no TEA. Graças a interação da substância com os receptores do tipo CB1 do cérebro, o canabidiol é capaz de diminuir a frequência das crises convulsivas.

Apesar disso, ainda não existe um estudo que comprove totalmente sua a eficácia para esses casos, sendo prescritos apenas quando os outros medicamentos indicados para epilepsia não são capazes de controlar as crises de forma adequada.
Sabe aquele ditado popular que diz que a diferença entre um o remédio e um veneno está na dosagem? Então! Isso é verdade para a maioria das substâncias contidas nos medicamentos, e não é diferente com o canabidiol.

Em dosagens altas, efeitos indesejados podem aparecer, como cansaço e sono excessivo, diarreia, alterações no apetite e no peso, irritabilidade, vômitos e problemas respiratórios. No entanto, vale ressaltar que esses efeitos só costumam ocorrer quando há o uso indevido do produto, em altas concentrações e sem recomendação médica.

É seguro adquirir um óleo artesanal?

A comunidade médica não recomenda o uso de óleos canábicos artesanais. Eles costumam ser vendidos ilegalmente como alternativa mais barata e acessível para pessoas com menor poder aquisitivo, no entanto, nesses casos a procedência da planta e das substâncias presentes no produto, não são conhecidas, e isso pode ser muito perigoso para a saúde da pessoa que irá utilizar.

Apesar de a intensão de quem produz muitas vezes ser genuinamente boa, a falta de recursos torna muito difícil existir um real controle sobre as substâncias, ou seja: o óleo pode ter muito THC e causar efeitos prejudiciais e intensos, além de ser difícil saber se existe CBD suficiente no extrato, ou mesmo se ele não está concentrado demais, o que é ainda pior.

Além disso, por ser ilegal, não existe fiscalização. Então, o extrato pode estar contaminado e ser potencialmente tóxica.

Existe comprovação de eficácia terapêutica?

Atualmente, só existem estudos que comprovam a eficácia do canabidiol para tratar a epilepsia. É verdade que muitos outros benefícios da maconha medicinal são conhecidos, no entanto, lembre-se de que estamos falando aqui apenas sobre o canabidiol, uma das substâncias encontradas na planta, que geralmente é encontrado na forma de óleo.
Quando o óleo de canabidiol pode ajudar

Existem diversos relatos de pais que contam que seus filhos autistas que passaram a fazer o tratamento com o canabidiol para controle da epilepsia também tiveram melhoras nos quadros de ansiedade, irritabilidade, insônia e agressividade.

De fato, a substância é capaz de promover esse tipo de benefício, no entanto, pelo menos no Brasil, os médicos não costumam prescrever o CBD para esses fins, sendo ministrado apenas quando métodos convencionais não funcionam.

Qual o potencial do CBD para tratar pessoas com TEA

De fato, além dos benefícios já conhecidos, como os citados acima, existem relatos por todo mundo que apontam que o uso da cannabis medicinal promove uma melhora significativa no que se diz respeito ao comportamento, funcionalidade e qualidade de vida em pacientes do espectro. Além disso, existem especulações sobre a ação dos canabinoides influenciarem nos sintomas centrais do transtorno, como na interação social, por exemplo.

Ainda que seja extremamente importante dar atenção e investigar esses relatos, vale lembrar que relatos não substituem estudos que comprovem esses benefícios. Veja, não estamos dizendo que esses relatos são falsos, mas sim que faltam estudos que comprovem que a razão para a melhora desses quadros é a administração do óleo. Sendo assim, temos que apoiar a ciência e torcer para que essas questões sejam respondidas nos próximos anos.





sexta-feira, 13 de maio de 2022

Preço do prato-feito subiu mais que o dobro da inflação pelo IPC-M, aponta FGV

Comer fora de casa ficou mais caro nos últimos 12 meses. De acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), o prato-feito apresentou alta média de 23,53%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Mercado (IPC-M), aferido pela entidade. Esse nível representa mais que o dobro da inflação registrada pelo indicador no período, de 10,37%.

O IPC-M utiliza metodologia diferente da empregada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável por verificar a inflação oficial, que é de 12,13% no período. O estudo do FGV Ibre leva em conta conta as variações de preços de dez dos itens mais presentes no famoso “PF”: arroz, feijão-preto, feijão-carioca, alface, batata-inglesa, cebola, tomate, frango em pedaços, ovos e carnes bovinas.

Os alimentos in-natura foram os grandes vilões para o aumento do preço da refeição de custo mais previsível: o tomate mais que dobrou de preço, com crescimento de 126,8%, seguido da batata-inglesa e do alface, que tiveram evolução de 44,65% e 32,5%, respectivamente. Junto da cebola, que acumulou 12,44% de aumento, os componentes que tornam a refeição mais nutritiva e balanceada passaram a pesar no bolso dos brasileiros.

Economista associado do FGV Ibre, Matheus Peçanha aponta que os problemas climáticos têm impacto direto em preços e gôndolas dos hortifrutis:

“A gente tem sofrido sucessivos choques de custos no setor agrário. Em 2020 foi a seca generalizada, logo depois vieram as chuvas muito fortes e agora esse novo verão, com uma monção muito grande, chuvas torrenciais, que afetaram a produção de hortaliças e legumes”, afirmou o economista.

Os preços das proteínas também foram impactados pelas chuvas, mas sofreram principalmente com a alta do dólar, a maior demanda internacional e o consequente aumento da exportação, que esvazia o mercado interno. As carnes bovinas tiveram alta de 11,82%, o frango de 21,1% e os ovos, que seguem a tendência da granja, de 11,32%.

Os únicos preços a caírem foram o do arroz, que registrou baixa de 10,5%, e o feijão-preto, com queda de 3,4%. O feijão-carioca seguiu a tendência de alta, com aumento de 5,71%.

Bares e restaurantes tão são afetados

A alta da inflação também atinge donos e consumidores de bares e restaurantes em todo o Brasil. Em abril, de acordo com o IPCA, a inflação nos últimos 12 meses da alimentação fora de casa foi de 6,63%, enquanto o aumento de preços das refeições dentro do lar foi de 13,73%.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, são os empreendedores que seguram a alta de preços do setor:

“Se por um lado isso torna mais vantajoso para o consumidor comer fora de casa, em termos relativos, por outro, diminui as margens de um setor que ainda está buscando uma recuperação. O caso da cerveja é exemplar. Nos supermercados o preço para o consumidor subiu 9% nos últimos doze meses, enquanto nos bares foi menos da metade disso”, disse.

Em algumas capitais, os preços de bebidas e alimentos em bares e restaurantes chegaram até mesmo a apresentar queda, na tentativa atrair a clientela. No Rio de Janeiro, a redução foi de 0,38%, seguida por quedas de 0,32% em Fortaleza e 0,1% em Brasília.

Impacto no vale-refeição

O tempo gasto para utilizar todo o saldo do vale-refeição é de, em média, 24 dias. É o que aponta um levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em parceria com a Alelo, empresa especializada em benefícios corporativos.

A atual duração do benefício pago mensalmente é inferior ao registrado antes da pandemia, de 27 dias. O valor médio também caiu: de R$ 465,20 para R$ 415,30.

Dona de um restaurante no Catete, na Zona Sul do Rio de Janeiro, Jaqueline Rodrigues conta como percebe os efeitos dessa redução em termos de comportamento de consumo:

“Temos uma boa venda na primeira quinzena do mês, quando os tickets são recarregados. Mas na segunda quinzena, quase nada. As pessoas que almoçam no intervalo do trabalho são as mais prejudicadas”, disse.

A pesquisa também aponta que o poder de compra do vale-refeição tem sido pressionado em duas frentes: pela queda no valor médio dos benefícios e pela aceleração da inflação na economia brasileira.

*Sob supervisão de Stéfano Salles


Pais devem ser “porto seguro” dos filhos, diz criadora do Mães pela Diversidade


O filho da Maju Giorgi tinha apenas 5 anos quando ela e o marido perceberam que a criança era homossexual. A certeza, no entanto, só veio na adolescência.

“Quando ele tinha 14 anos, eu percebi que ele estava muito deprimido. Um dia, ele me abraçou e disse ‘mãe, sou gay’. Ele estava desesperado”, contou a Maju em entrevista à CNN Rádio nesta quarta-feira (4), no quadro “CNN no Plural“.

Foi então que surgiu a ideia de criar uma organização não-governamental para acolher pais e mães cujos filhos são homossexuais.

O coletivo Mães pela Diversidade surgiu em 2014. De acordo com Giorgi, que atualmente é coordenadora da ONG, os pais que procuram a instituição vão encontrar “acolhimento, terapia, psiquiatra, e, depois, informação”, contou ela. “Informação é o que destrói o preconceito.”

Para Maju Giorgi, os pais precisam ser o “porto-seguro” dos filhos. “As crianças LGBTQIA+ têm um destino pré-determinado, de um ciclo de violência em todos os lugares: na escola, no mercado de trabalho, na rua. Mas, muitas vezes, o primeiro lugar de violência é a própria casa. Então, a gente incentiva que os pais sejam o primeiro lugar de acolhimento”, afirmou.

“Nós estamos unidos pelo medo da violência, da truculência da falta de direitos e por um sentimento de injustiça que transborda. A gente gostaria de entender por que [os homossexuais são vítimas de violência]. Eles são inocentes”, declarou ela.


Eleitor jovem pode ser decisivo diante da polarização, diz cientista político


O eleitorado jovem pode ser decisivo nas eleições deste ano, segundo avaliação do cientista político da Faculdade Getulio Vargas (FGV) Marco Antonio Teixeira, em entrevista à CNN nesta quinta-feira (5).

“Se nós estamos imaginando que vamos ter uma eleição polarizada, muito disputada, entre os candidatos mais competitivos, o jovem pode ser o fator decisivo nessa eleição”, afirmou.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre janeiro e abril deste ano, mais de 2 milhões de jovens entre 16 e 18 anos emitiram o título de eleitor no Brasil.

De acordo com o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, o número representa um aumento de 47,2% em relação ao mesmo período em 2018 e de 57,4% quando comparada aos quatro primeiros meses do ano de 2014.

Para Teixeira, a entrada desse público na eleição traz também a pauta da diversidade ao cenário político. “Essa é a juventude que não é fundamentalista – nem do ponto de vista religioso, nem do ponto de vista sexual, nem do ponto de vista étnico – é antirracista”, explicou.

É por isso que, para o especialista, os candidatos que não considerarem esses aspectos terão “muita dificuldade para poder ingressar, de certa forma, no imaginário da decisão do voto desse eleitor.”

“Quando nós olhamos para essa juventude, nós percebemos que ela traz consigo o desafio da diversidade. De como conviver na mesma sociedade pessoas que têm crenças diferentes, pessoas que têm origens étnicas diferentes e pessoas que, de certa forma, têm concepções de vidas absolutamente distintas umas das outras”


Sobrecarregadas, mulheres sofrem mais de depressão e ansiedade que homens

Mais de 60% dos brasileiros se sentiram sobrecarregados nos últimos 12 meses. O peso foi maior para as mulheres, segundo pesquisa sobre impacto da pandemia na saúde mental dos trabalhadores realizada pelo Instituto Datafolha com o Zenklub.
A pesquisa mostrou que o percentual de mulheres sobrecarregadas foi de 68%, muito acima dos 56% registrados entre os homens. Entre as várias explicações para isso está o fato de as mulheres terem acumulado as tarefas domésticas com a vida profissional. “A pandemia é pesada para todo mundo, mas ela trouxe componentes que são endereçados ao colo da mulher, como o cuidado com os filhos. São questões que já existiam antes, mas não eram discutidas e que agora estão atrasando a carreira das mulheres”, diz Angela Castro, sócia da Deloitte.

Entre os problemas que vieram à tona com a pandemia estão a ansiedade, insônia, exaustão e depressão. Para todas essas dores, as mulheres sofreram mais que os homens.

A depressão esteve mais presente entre os profissionais que têm filhos (28%), enquanto a ansiedade entre os que não têm (69%).

Os dados também trouxeram que quanto mais jovem, maiores são os sintomas de exaustão e cansaço – 70% entre pessoas de 18 a 24 anos e 67% entre aqueles de 25 e 34 anos.

A pesquisa identificou ainda que 64% dos trabalhadores brasileiros não possuem nenhum benefício para cuidar da saúde mental. “A quantidade de pessoas com acesso à benefícios corporativos de saúde emocional é baixa”, afirma Rui Brandão, cofundador e CEO do Zenklub.

Por outro lado, 86% dos entrevistados consideram que esse tipo de benefício pode ajudar os colaboradores a lidar com os impactos negativos da pandemia.