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segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Os filhos estão sendo educados com excesso ou falta de amor?


Quando o assunto é educação, surgem as dúvidas: estamos educando os filhos com falta ou excesso de amor?

Diante de um mundo em que predomina o desequilíbrio econômico, o qual alguns países possuem excesso de riqueza e outros a escassez de recursos, as pessoas acabam se acostumando a conviver com essas diferenças; muitas vezes, deixam de perceber as consequências. Na formação dos filhos, também, podemos ver excessos ou escassez nos relacionamentos. Por isso, precisamos nos perguntar como anda o equilíbrio da afetividade nas famílias, sejam elas carentes ou não, e quais consequências têm sido colhidas na vida adulta.

É claro que, como mantenedores das necessidades emocionais e físicas dos filhos, as ações dos pais impactam fortemente na constituição da psique dos filhos. No entanto, a falta de tempo e o excesso de culpa têm permeado muitas relações e trazido muitos sofrimentos. Por isso, é momento de estar mais presente e não assumir a responsabilidade das decisões que são tomadas pelos filhos e que não pertencem aos pais.

Equilíbrio na dose de afeto
As mães, no papel maternal, geralmente propiciam vínculos afetivos e amor incondicional por seus filhos, e mesmo não concordando com atitudes deles, não os abandona, nem se rendem ao impossível. Entretanto, a escassez de tempo, a necessidade de vencer no mundo profissional e a opção de deixar outra pessoa em seu lugar, pode levá-las a um vazio. Ao contrário, uma mãe que não trabalha, não têm projetos, pode passar um tempo em excesso com as crianças, levando-as [as mães] a considerar a maternidade um peso. Depois, por serem responsáveis pela felicidade da mãe, muitos filhos adultos apresentam uma conta afetiva alta, que os impede de seguir a vida. O equilíbrio na dose de afeto maternal vai definir quem os filhos serão emocionalmente.

Outro ponto importante é o relacionamento do casal, pois, é a mãe quem abre espaço para a relação entre pai e filho. Muitas vezes, as esposas competem pelo amor do filho, atrapalhando a criação de vínculos que vão organizar a afetividade deles com os pais. É importante que, o casal invista na vida a dois e, também, no convívio com os filhos. São amores diferentes, que, bem equilibrados, se completam. Filhos são importantes, entretanto, não são a única prioridade do casal.

Os pais, no papel masculino, contribuem com o cumprimento da lei, fazem o corte entre mãe e filho, permitindo que esse se enxergue como indivíduo. Quando chega o tempo do filho buscar novos horizontes, faz o convite para sair do ninho em busca da liberdade, a qual traz responsabilidades e direitos. Escolhas fazem parte do processo de amadurecimento. Alguns pais, excedem nas leis e, gastam pouco tempo na convivência que ajudaria nesse aprendizado, ou, por insegurança, dificultam a saída de casa, criando filhos dependentes e frágeis.

Independente da maneira, é preciso demonstrar afeto
É lógico que, as crianças não restringem suas relações apenas aos pais. À medida que crescem, expandem o convívio social, mas, na primeira infância, as referências que marcam a existência das pessoas, provêm do ambiente familiar. A demonstração de afeto varia de pessoa para pessoa, sendo pais ou filhos. Alguns capricham no carinho, outros investem na educação ou têm um senso prático de solucionar problemas, não importa a forma, mas a criança precisa se sentir amada e valorizada para poder amar e valorizar o outro.

Ensine os seus filhos a valorizarem o que têm por meio da Paternidade da Escassez

Muitas pessoas tiveram uma infância sem acesso algum à maioria dos objetos que desejavam por conta da situação financeira dos pais. Dessa forma, é comum que quando eles cresçam e também se tornem pais, se esforcem para dar tudo aos filhos. No entanto, essa premissa pode gerar consequências negativas, sendo necessário aprender mais sobre a Paternidade da Escassez.
O Valor das Coisas
Estudos demonstram que quando se tem fácil acesso à objetos, como brinquedos, por exemplo, não existe uma valorização dos mesmos. Afinal, a criança saberá que sempre que cansar de um item, poderá substituir por outro do mesmo ou diferente. Consequentemente, não irá cuidar tão bem do que já tem.
Dessa forma, para muitos pais, o grande desafio é conseguir ensinar os seus filhos a valorizar suas coisas. Afinal, com privilégios ou não, tudo aquilo que se conquista deve ser fruto de trabalho honesto, e certamente não é fácil para os pais conseguirem oferecer o melhor para as crianças.

No entanto, quando não se ensina o valor de tudo o que se tem, é comum que pensar que é fácil conseguir qualquer coisa. Inclusive, quando sempre se entrega aquilo que o filho quer, então ele sempre acreditará que não existe esforço em conseguir o que deseja.

Conheça a Paternidade da Escassez
O modelo de Paternidade da Escassez visa justamente ensinar um pouco mais sobre a valorização ao retirar o acesso fácil a muitos objetos. Ou seja, deixar que o seu filho espere um pouco pelo brinquedo que queria, mesmo quando já se tem o dinheiro suficiente para comprá-lo.

Assim, certamente ele aprenderá a valorizar mais o objeto que tem em mãos, e não irá quebrá-lo rapidamente, por exemplo. Além disso, os pais podem trabalhar de modo a entregar brinquedos de acordo com um método de recompensas.

Aqui, a criança poderia fazer algumas tarefas domésticas simples, como arrumar o quarto todos os dias, ou jogar o lixo fora. Desse modo, é possível ensinar que sempre existe trabalho envolvido no processo de conseguir o que queremos, e certamente seu filho desenvolverá maior responsabilidade sobre o que pede.

Grupos e influenciadores oferecem limpeza solidária na casa de pessoas com depressão


Tudo começou há um ano, quando o diarista Guilherme Gomes, 20, ainda morava em Manaus (AM) e percebeu que algumas casas onde fazia faxinas tinham objetos acumulados e higiene precária.

"Ao invés de julgar, abandonar o serviço ou fazer só pelo dinheiro eu perguntava para o cliente se ele estava bem. Foi então que começaram a me relatar os problemas que envolviam perdas recentes, depressão e problemas financeiros. Algumas faxinas eu nem cobrava porque via o quanto estava difícil", conta.

O tempo passou e Gui, como é conhecido, começou divulgar as faxinas solidárias quando tinha o consentimento do cliente. Hoje, o diarista, que vive em São Paulo, conta com 35 atendimentos do tipo.

Por meio de doações dá continuidade ao serviço e, com ele, se tornou um influenciador e defensor deste tema que, além da limpeza, envolve a saúde mental.
Há uns quatro meses, quando comecei a divulgar, muita gente do país me procurou. E comecei a falar e mostrar que a depressão, por exemplo, não é frescura, é um assunto sério e que merece atenção, principalmente do poder público. Vejo que eu faço um trabalho que poderia ser realizado por governantes, mas não é o que acontece", diz.

A limpeza solidária, realizada pelo influenciador e diarista, também é feita por instituições e grupos. Eles miram aqueles que, devido a sua situação de saúde mental em decorrência de transtornos como o depressivo, não conseguem manter a moradia em condições adequadas de higiene e organização.

Segundo a Pesquisa Vigitel 2021, cerca de 11,3% dos brasileiros receberam um diagnóstico de depressão. A incidência maior é entre mulheres, com 14,7%. Além da depressão, outras patologias podem causar estes comportamentos, de acordo com Vanessa Flaborea Favaro, psiquiatra e diretora dos ambulatórios do IPq-USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo).

"Qualquer outra patologia psiquiátrica que traga uma perda de capacidades pragmáticas pode fazer com que a pessoa não consiga ter esse autocuidado ou o cuidado com a casa. Demências, pacientes psicóticos afastados da realidade e um estado grave, uma outra patologia, em especial, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que muitas vezes leva a limpeza exagerada de uma parte do corpo ou da casa. Além dos acumuladores, que não conseguem se desfazer de objetos mesmo que sejam danosos para a higiene do ambiente", afirma a psiquiatra.

De acordo com ela, em casos extremos a internação pode ser necessária. A ajuda, em muitos casos, representa alívio para quem está em sofrimento mental.

O projeto Limpeza Voluntária, criado há oito meses, também atua em prol daqueles que vivem em más condições de higiene e organização por decorrência da sua saúde mental.

Idealizado pelas estudantes Julia Melhem e Mônica Garcia, que já tiveram depressão, o programa faz seus atendimentos no litoral de São Paulo a partir de doações.

"Temos uma equipe de seis pessoas e atendemos algumas vezes no mês. Ver que a gente pode ajudar a dar um novo recomeço para a vida de alguém é gratificante" diz Julia, que teve a ideia de criar o projeto depois de ver vídeos de influenciadores realizando a mesma ação.

Para a psicóloga Tainara Cardoso, é importante que pacientes com depressão ou outra patologia tenham uma rede de apoio, além da ajuda profissional. A profissional salienta que questões sociais e raciais também podem ter peso no processo depressivo, de isolamento e de qualquer outro transtorno mental.

"É importante pensar um caminho. Uma construção de um cuidado, mas é importante que esse paciente seja acompanhado profissional, tenha uma escuta. Para atendimento gratuito, por exemplo, existe o Caps [Centro de Atenção Psicossocial], que vai auxiliar nestes casos de alta complexidade e sofrimento psíquico. Tem também a TCC (terapia cognitivo comportamental), que é mais objetiva. Mas é fundamental que esses pacientes sejam respeitados, que tenham diálogo, escuta e entendam que podem ser ajudados", diz.

ONDE BUSCAR AJUDA?
Procure a UBS (Unidade Básica de Saúde) ou o Caps mais próximo da sua residência
Em caso de emergência, entre em contato com o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ligando para 192
Converse com um voluntário do CVV (Centro de Valorização da Vida) ligando para 188 (chamada gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou de celular de todo o território nacional) ou acesse www.cvv.org.br

ANSIEDADE: sintomas podem durar uma vida inteira; veja dicas para controlar


Aflição, angústia e sentimento de perturbação causados por incerteza e contexto de perigo são condições associadas à ansiedade - um desconforto que, a depender do grau e intensidade, pode nos beneficiar e também nos prejudicar.

"A ansiedade é uma função mental útil a todos nós. Mas existem algumas situações em que a ansiedade vai crescendo e começa a prejudicar o indivíduo. A ansiedade começa a trazer um prejuízo àquela situação", explica o médico psiquiatra Antonio Egídio Nardi, em vídeo do Canal da Psiquiatria, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). 

Ao falar sobre ansiedade, Antonio Egídio Nardi destaca como se trata de uma sensação comum do ser humano e, inclusive, define esse desconforto como "uma função mental útil a todos nós". Afinal, a ansiedade é fundamental para nos ajudar a evitar situações de riscos e resolver possíveis problemas.
Ou seja, é natural ter alguns sintomas físicos quando estamos muito preocupados, como perda de sono, aumento ou diminuição no apetite e palpitações, entre outros. Mas os sintomas vão embora quando a preocupação e a ansiedade acabam.

"Quando ficamos ansiosos e preocupados, tomamos medidas para evitar um problema ou qualquer situação que nos preocupa capaz de gerar alguma ameaça. Assim, quando uma pessoa fica preocupada diante de algo, ela toma medidas para evitar alguma situação que poderá prejudicá-la." 

O psiquiatra destaca que, enquanto preocupada, a pessoa pode dormir mal, ter vários sintomas físicos e psíquicos. O apetite também pode diminuir ou aumentar, podem aparecer problemas gastrointestinais, além de uma má sensação física e psíquica. Entretanto, quando o problema é resolvido, a ansiedade desaparece imediatamente. 

"Mas, quando o indivíduo fica tão ansioso com a situação, a ponto de não conseguir se controlar, passando muito mal com sintomas físicos e psíquicos, isso traz um prejuízo enorme. Ele não tem um bom desempenho. A ansiedade passa a ser patológica (doença). Além da intensidade dos sintomas, a ansiedade passa a ser crônica; pode durar muito tempo e, às vezes, uma vida inteira", alerta Antonio Egídio Nardi. 

A explicação do psiquiatra remete a um transtorno de ansiedade generalizado, conhecido pela sigla TAG no meio médico. "Também pode ocorrer o transtorno do pânico, caracterizado por crises de ansiedade que geram fobias, limitações à vida."

Ele acrescenta que isso é diferente da ansiedade adaptativa, aquela que é boa porque nos ajuda a evitar problemas. 

"Mas a ansiedade patológica nos prejudica. É importante procurar tratamento, que nos ajuda a vencer o mal que nos aflige", orienta o médico psiquiatra. 

domingo, 25 de setembro de 2022

‘Equilibrando os pratinhos’: como ser mulher, mãe, profissional


Apesar dos avanços conquistados em ocupar mais espaços, não há tempo suficiente para que a mulher desempenhe com excelência todos os papéis que lhe são atribuídos ou que ela escolhe desempenhar (profissional, mãe, companheira, amiga…). Como a conta não fecha dentro das 24 horas diárias, a experiência de ser mulher demanda “equilibrar os pratinhos”, sem deixar nada cair ou quebrar.

Há ainda poucas empresas no Brasil que tentam tornar esse percurso menos díspar em relação aos homens, oferecendo condições estruturais básicas para que a mulher consiga conciliar a carreira profissional à maternagem, sem impor a escolha de uma em detrimento da outra. Mais do que flexibilidade de horários ou possibilidade de home office, ou ainda benefícios que vão do plano de saúde ao kit fralda, é preciso equiparar as licenças maternidade e paternidade, para que ambos os pais possam estar presentes integralmente nos primeiros meses de vida do bebê.

Desde 2016, com a aprovação do Marco Legal da Primeira Infância, empresas cadastradas no Programa Empresa Cidadã concedem 20 dias de licença aos pais e seis meses às mães.

“Ainda falta entender que crianças precisam ser criadas pelos pais e pelas mães”, provoca Cris Bartis, cocriadora do Mamilos Podcast e mãe de Tamires, 10 anos, e Amós, 2 anos. “É muito difícil se separar de um bebê pequeno enquanto ainda estamos entendendo quem é quem nessa nova configuração familiar. Ficar sem ele é quase a sensação de falta de ar”, define. Mas, mesmo assim, “é preciso criar forças e voltar”. 
“O que é um parto perto da volta ao trabalho depois da licença? É muito medo e insegurança de que você não vai conseguir produzir o suficiente”

Raphaella Martins Antonio, publicitária e mãe de Liz, 2 anos, concorda com a urgência da paridade de uma licença parental, como forma de provocar uma revisão cultural. “A sociedade hoje está toda estruturada na ideia de que a responsabilidade do maternar é apenas da mãe, desde a licença-maternidade, que é maior para elas, até detalhes como trocador de bebê apenas nos banheiros públicos femininos.”

“Nesse modelo de sociedade, nosso corpo é o capital de trabalho”, completa Cris. “Como o corpo da criança ainda não produz, é invisível aos olhos dessa lógica. Nós, como principais cuidadores, responsáveis por criar os futuros produtos do capital, não temos esse trabalho reconhecido, tampouco remunerado.”

Cris Bartis, comunicadora e mãe de Tamires e Amós: “Nesse modelo de sociedade, nosso corpo é o capital de trabalho. Nós, responsáveis por criar os futuros produtos do capital, não temos esse trabalho reconhecido, tampouco remunerado”

Números comprovam o impacto de as “tarefas” do cuidar seguirem intimamente associadas à figura feminina: 30% das mulheres já abriram mão de seus empregos após se tornarem mães, número superior quatro vezes ao de pais. Dessas, apenas 8% conseguiram voltar em menos de seis meses (contra um índice de 33% para os homens), apontou pesquisa realizada pela empresa de recrutamento Catho, em 2018. Como alternativa muitas vezes de sustento e renda extra, elas dominam o chamado “empreendedorismo feminino”.

O Brasil é o sétimo país com o maior número de mulheres empreendedoras – elas são mais de 24 milhões de brasileiras. O dado é de um levantamento da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizado com 49 nações.

Raphaella relata que já ouviu muitas vezes entrevistadores perguntarem se queria ser mãe ou se engravidar estava em seus planos, a que respondia com um “sim, o mais rápido possível”, diz. “Também questionava, de forma irônica, qual o impacto da pergunta na rotina e os critérios do perfil, além de já automaticamente descartá-la da lista, com a ciência de que uma empresa que não valoriza ou rejeita o que me é tão caro, não serve para mim.”

Para Vanessa Cabral, gerente executiva da área de Pessoas e Cultura e mãe de Laura, de 1 ano, “a pluralidade torna o ambiente mais rico, aberto a trocas e próspero para boas ideias”. Ao adotar práticas de bem-estar para as mulheres, ela acredita que “os benefícios impactam os colaboradores de forma geral, trazendo um olhar mais humano para as organizações”, declara. Vanessa foi promovida a uma posição executiva quando estava com quase cinco meses de gestação.

De quem falamos quando falamos de ‘equilibristas’?
Mas, quando falamos em equilibrar trabalho, cuidado com filhos, inserção e reconhecimento no mercado, equiparação salarial, divisão das tarefas domésticas, trata-se de um recorte de feminismo branco, alerta Cris Bartis. “Não estamos falando de todas as mulheres. A cada uma dessas brigas, vamos perdendo mais mulheres. Quando falamos de conquistas ou retrocessos, consideramos apenas aquelas que conseguiram avançar; tem gente que nem chegou a esse lugar e as questões estão em outro patamar, como saneamento e creche para deixarem os filhos enquanto cuidam dos nossos. Não existe direito adquirido em definitivo”, lembra.
Como equilibrar os sentimentos nessa jornada?
“O que será que uma mãe
faz,
além de ser mãe?
Ser mãe dói demais.
Todas as mães precisam
do direito fundamental
de serem mulheres
também.”
Poema Direito Fundamental, de Ana Suy, no livro “A corda que sai do útero”

Diante da tendência de um mercado mais preocupado em acolher as mulheres, dando-lhes suporte mínimo, e companheiros melhor esclarecidos em relação ao equilíbrio de comprometimento com as questões do lar e em apoiar emocionalmente suas parceiras, ainda existe o sentimento de culpa que mulheres tentando “equilibrar os pratinhos” costumam carregar consigo e o julgamento alheio a que estão sujeitas.

Maria Candida Baumer Azevedo, sócia-fundadora da People & Results e mãe de Duda, 5 anos, e Arthur, 8 meses, sugere que a desconstrução e a reconstrução devem começar desde a primeira infância, quando a personalidade da criança é formada. “Mais do que criar filhos para a noção de equidade, é preciso criá-los para serem autônomos, seguros de si, automotivados, emocionalmente equilibrados, independentes”, defende. “Essa criança vai ser um adulto que se posiciona, com contundência e assertividade, criando seu próprio espaço”. 

Cris também acredita que não devemos esperar que a sociedade mude o suficiente, mas nos conclama a fazer a nossa parte. “Devemos protagonizar a mudança, desconstruindo o sentimento e dando abertura para que outros possam nos ajudar em determinados papéis, mesmo que não saia exatamente do nosso jeito. A pergunta que nos cabe é: somos capazes de carregar o incômodo da imperfeição?”

“As pessoas me perguntam ‘como você dá conta?’ Mas quem disse que eu dou conta?”, questiona-as de volta. “Lido todos os dias com coisas por fazer, mas é justamente esse lugar da humanidade que devemos reivindicar, para validar nossas justificativas e entender que não dar conta não é tão ruim assim.”

Os impactos da maternidade na vida e na carreira das mulheres


A mulher ficou confinada por séculos, dedicando-se exclusivamente ao cuidado da casa e dos filhos. Foi depois da primeira guerra mundial que as mulheres passaram a ganhar aos poucos o espaço no mercado de trabalho, no Brasil a inserção da mulher no mercado de trabalho foi tardia e, quando homens foram para frente de batalhas e retornaram com sequelas, e muitos vieram a óbito.

As mulheres não tiveram seus direitos inicialmente assegurados e havia uma enorme exploração da mão de obra feminina, ganhando menos que os homens e com carga horária muito superior, sendo exposta a insalubridade. Foi a Constituição de 1934 que garantiu jornada diária de oito horas, equiparação salarial, descanso semanal, férias remuneradas, licença-maternidade remunerada, proibição de mulheres em trabalhos insalubres, assistência médica e sanitária às gestantes, e impediu que fossem demitidas no período gestacional.
De lá em diante, as leis trabalhistas sofreram diversas alterações, assegurando direitos da mulher no ambiente profissional. Assim, ao longo dos tempos as mulheres, vieram conquistando paulatinamente espaço na sociedade e sua presença no mercado se consolidaram. Atualmente as mulheres no Brasil já são a maioria da população e uma grande parte é responsável pelo sustento de sua família. O que torna essa realidade repleta de desafios, ao tentar conciliar vida pessoal, profissional, com o papel de mãe, em especial a maternidade.

Ainda há obstáculos
Mas a desigualdade de gênero ainda existe e cria vários obstáculos para as mulheres no mercado de trabalho, e, ao se ampliar este papel da mulher no mercado de trabalho, mudaram-se conceitos de ser mulher, e surgiu a questão de a mulher retardar, a maternidade. Com o surgimento da pílula, a gravidez passou a não ser mais uma obrigação para elas e, sim uma opção, e com o auxilio da medicina, esta passou a ser planejada e muitas vezes desejada. E hoje a escolha da mulher em ter filhos depende daquilo que ela está envolvida e valorizando naquele momento, de suas preocupações em evoluir a carreira, ou em deixar passar o período fértil.
Assim, a maternidade é um desafio para as mulheres, pois ainda exista a questão da dupla jornada e elas são, em maioria, as únicas responsáveis pelas tarefas domésticas e cuidado com os filhos. O resultado é que o percentual de mulheres executivas sem filhos é maior do que o de homens (45% executivas, para 19,3% dos homens).

Percebe-se que para os homens o trabalho e família são complementares. Para a mulher, as duas áreas são demasiadamente importantes, entrando muitas vezes, em conflito e, por esse motivo, cada vez mais brasileiras adiam a maternidade, para ter filhos após os 40 (quarenta) anos de idade. O Ministério da Saúde mostrou que as mulheres, que optaram pela maternidade após esta idade (40), aumentou para 49,5% em 20 anos.
Observamos que muitas vezes as mulheres carregam um sentimento de culpa, por supostamente, estar falhando como mães, ou profissionais. São sentimentos ambíguos, entre a carreira e a maternidade, que obriga a maioria das mulheres a se tornar equilibrista para conciliar as duas coisas de forma muito inspiradora. Afinal, as mulheres atualmente querem a conquista do sucesso profissional, estabilidade financeira, para então decidir formar uma família.

O desafio da maternidade
A maternidade, por vezes, vem como uma escolha para a mulher, entre filhos e carreira, entre esperança e medo, o que a maioria das profissionais sentem quando decidem ser mães. As mulheres que querem ter filhos, ainda sentem a necessidade de adiar a maternidade por receio de perder oportunidades enquanto tentam conciliar carreira e família. E dados apontam que uma maioria das profissionais deixa o emprego após o nascimento do primeiro filho

Nesse sentido, algumas empresas estão preocupadas em reter seus talentos e desenvolvem políticas e programas que atendem a necessidades da mulher, proporcionado que ela concilie a vida profissional, pessoal e o papel de mãe, tais como, creche, espaço de amamentação, entre outros.

Entendemos que com uma divisão de tarefas de forma mais justa e parceria dentro do ambiente familiar, mais mulheres deixariam de ter dificuldade em conciliar trabalho e afazeres domésticos para se dedicar a conquistas e a cargos sonhados – e isso também é fundamental para a mudança social.