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Câmara de Ilhéus - Acompanha sessões remotas

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terça-feira, 9 de agosto de 2022

Flow bate recorde de audiência com Bolsonaro e supera podcast com Lula


A entrevista ao vivo do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Flow Podcast, na segunda-feira (8), atingiu o pico de 573 mil espectadores simultâneos, recorde do programa, e superou a audiência da participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outro podcast, o Podpah, em 2021.

Até a tarde desta terça-feira (9), o vídeo, que tem cinco horas de duração, tinha 7,3 milhões de visualizações e já era o terceiro programa mais visto desde a criação do Flow, em 2018.

O programa de maior audiência do podcast, com mais de 10 milhões de visualizações, foi transmitido em dezembro de 2020 e teve a presença do humorista Danilo Gentili.

Lula foi entrevistado em dezembro de 2021 no Podpah, por quase duas horas e meia. Na ocasião, o programa com o petista acumulou 292 mil espectadores simultâneos, segundo o jornal Estado de São Paulo.

A entrevista com o ex-presidente soma, desde então, quase 9,3 milhões de visualizações no YouTube.

Debate
As emissoras CNN e SBT, o jornal O Estado de S. Paulo, a revista Veja, o portal Terra e a rádio NovaBrasilFM formaram um pool para realizar o debate entre os candidatos à Presidência da República, que acontecerá no dia 24 de setembro.


sábado, 6 de agosto de 2022

IBGE atrasa pagamento de 44 mil recenseadores no país


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) emitiu comunicado em que reconhece atraso no pagamento da ajuda de custo de quase um terço dos trabalhadores já treinados para o Censo 2022. São 44 mil profissionais com valores não pagos, em um universo de 158 mil pessoas qualificadas até sexta-feira (5).  

O IBGE não especifica o tempo de atraso nos pagamentos, contudo, o treinamento ocorreu de 18 a 22 de julho, conforme edital divulgado no site do órgão. Em outra página oficial do órgão, a carga horária das aulas é detalhada: oito horas por dia, durante cinco dias, em 10 mil salas de aula espalhadas pelo país. Quem foi selecionado para visitar indígenas e quilombolas teve um dia extra de capacitação. 

Pelos cinco dias à disposição do órgão, cada pessoa que atua em municípios com mais de 100 mil habitantes deveria receber R$ 200. Nas cidades com população abaixo dessa linha de corte, a diária cai pela metade. 

A confirmação de pendência no pagamento a 28% do público treinado foi publicada no perfil @ibgeoficial no Instagram. Na manhã deste sábado (6), menos de 24 horas após a publicação, o número de comentários se aproximava de 900. Em sua maioria, pessoas que estão na mesma situação. "Até agora nem 80 (reais), nem 120 ou 200, tô desanimando, porque as contas não esperam”, respondeu uma das pessoas. “Sou um dos 44 mil a espera”, publicou outro. Alguns ameaçam desistir do projeto, por temor da inadimplência.

Na postagem, há reclamações de profissionais do Rio Grande do Sul.

— Era para ser pago R$ 40 por dia. Vou aguardar essa promessa de colocarem em dia até a semana que vem — afirmou um contratado, que pediu para não ser identificado e informou que os trabalhadores teriam sido avisados de que o recebimento da ajuda de custo ocorreria cinco dias após o treinamento.

Em um grupo do Facebook que reúne recenseadores do RS, parte afirma ter recebido apenas parcialmente, enquanto outros integram a lista dos que não tiveram nenhum valor pago até este sábado. Uma enquete na rede social questionava quantas pessoas haviam recebido “tudo”, “apenas uma parte” ou “nada ainda”. Sem receber nada, responderam 54% dos participantes. Outros 35% afirmaram ter recebido tudo, e 10%, uma parte.

Instituto promete depósitos a partir de segunda-feira
A demora é justificada pelo "grande volume de dados pessoais dos recenseadores cadastrados no sistema", de acordo com o IBGE. Essas informações foram “processadas em um curto espaço de tempo, gerando lentidão no pagamento dos valores”, detalha a nota oficial. 

A promessa é realizar os depósitos até a próxima semana, a partir de segunda-feira (8). O instituto garante que o atraso não se repetirá nas próximas etapas do Censo e que o orçamento para realização, até o fim, está garantido. 

O levantamento se iniciou no dia 1º de agosto e vai até 31 de outubro, prorrogável caso haja dificuldade em finalizar a pesquisa, que mira em 75 milhões de domicílios no Brasil.  

Prestar informações aos agentes é obrigatório por lei, e importante para traçar um perfil da população. Os dados servirão de base para identificar problemas sociais e econômicos dos brasileiros.

O servidor pode ser identificado pela roupa: boné azul com o emblema “Censo 2022”, colete do IBGE e crachá com QR Code. Caso o cidadão queira, ainda pode acessar este link para confirmar que aquele é um recenseador oficial, digitando matrícula, CPF ou RG do trabalhador. 

Como falar outras línguas mexe com nosso cérebro


Estou na fila da padaria que frequento em Paris, pedindo desculpas ao atendente. Ele está totalmente confuso. Acabou de perguntar quantas baguetes eu queria e, completamente sem querer, respondi em mandarim, em vez de francês.

Estou igualmente perplexa: minha língua principal é o inglês, e não uso o mandarim devidamente há anos. No entanto, aqui, neste cenário mais parisiense impossível, o mandarim resolveu se reafirmar.

Quem fala mais de uma língua geralmente domina os idiomas que conhece com facilidade. Mas, às vezes, podem ocorrer deslizes acidentais. E a ciência por trás de por que isso acontece está revelando perspectivas surpreendentes sobre como nossos cérebros funcionam.

As pesquisas sobre como as pessoas multilíngues fazem malabarismo com mais de um idioma em suas mentes são complexas, e às vezes, contraintuitivas. Esses idiomas podem interferir uns com os outros, se intrometendo, por exemplo, na fala quando você não espera. E essas interferências podem se manifestar não apenas em lapsos de vocabulário, mas até mesmo na gramática ou no sotaque.

"Pelas pesquisas, sabemos que, sendo bilíngue ou multilíngue, sempre que você fala, todos os idiomas que você conhece são ativados", diz Mathieu Declerck, pesquisador da Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica.

"Por exemplo, quando você quer dizer 'dog' ("cachorro", em inglês) como um bilíngue de francês-inglês, não apenas a palavra 'dog' é ativada, como também sua tradução equivalente, 'chien' ("cachorro", em francês), também é ativada."

Dessa forma, a pessoa que está falando precisa ter algum tipo de processo de controle de linguagem. Se você pensar bem, a capacidade dos indivíduos bilíngues e multilíngues de separar os idiomas que aprenderam é notável.

A forma como fazem isso é normalmente explicada por meio do conceito da inibição — uma supressão das línguas não relevantes.

Quando você pede a um voluntário bilíngue para dizer o nome de uma cor que aparece em uma tela em determinado idioma, e depois o nome da cor seguinte em outro idioma, é possível medir picos de atividade elétrica em partes do cérebro responsáveis pela linguagem e atenção.

Mas quando esse sistema de controle falha, intrusões e lapsos podem ocorrer. Por exemplo, a inibição insuficiente de um idioma pode fazer com que ele "apareça" e se intrometa quando você deveria estar falando em uma língua diferente.

O próprio Declerck, que é belga, está acostumado a misturar idiomas acidentalmente. Seu repertório linguístico inclui holandês, inglês, alemão e francês.

Quando trabalhava na Alemanha, a viagem habitual de trem que fazia para voltar para casa na Bélgica passava por várias regiões com idiomas diferentes — um verdadeiro treino para suas habilidades de alternância de idioma.

"A primeira parte era em alemão, e eu entrava em um trem belga em que a segunda parte era em francês", diz ele.

"E depois, quando você passa por Bruxelas, eles mudam o idioma para holandês, que é minha língua nativa. Então, neste período de três horas, toda vez que o cobrador vinha, eu tinha que trocar de idioma."

"Eu sempre respondia no idioma errado, de alguma forma. Era simplesmente impossível acompanhar."

Na verdade, cenários de troca de idiomas — como esse do trem, mas em laboratório — são frequentemente usados ​​por pesquisadores para aprender mais sobre como pessoas multilíngues dominam os idiomas.

E os erros podem ser uma ótima maneira de compreender melhor como usamos e dominamos os idiomas que sabemos.

Tamar Gollan, professora de psiquiatria da Universidade da Califórnia em San Diego, nos EUA, estuda há anos o domínio da linguagem em indivíduos bilíngues. E sua pesquisa muitas vezes levou a descobertas contraintuitivas.

"Acho que talvez uma das coisas mais singulares que vimos em indivíduos bilíngues quando eles misturam idiomas é que, às vezes, parece que inibem tanto a língua dominante que, na verdade, acabam sendo mais lentos para falar em certos contextos", diz ela.

Em outras palavras, a língua dominante de uma pessoa multilíngue pode sofrer um impacto maior em certos cenários.

Por exemplo, na tarefa de nomear as cores, descrita anteriormente, pode levar mais tempo para um participante lembrar o nome de uma cor no seu primeiro idioma quando estava sintonizado no segundo idioma antes, em comparação com a situação inversa.

Em um de seus experimentos, Gollan analisou as habilidades de alternância de idioma de pessoas bilíngues em espanhol-inglês, fazendo-as ler em voz alta parágrafos que estavam apenas em inglês, apenas em espanhol, e parágrafos que misturavam aleatoriamente inglês e espanhol.

Os resultados foram surpreendentes. Mesmo que estivessem com os textos bem ali na frente deles, os participantes ainda cometeriam "erros de intrusão" ao ler em voz alta — dizendo acidentalmente, por exemplo, a palavra espanhola "pero" (que significa "mas"), em vez da palavra correspondente em inglês "but".

Esse tipo de erro acontecia quase exclusivamente quando estavam lendo em voz alta os parágrafos mistos, o que exigia alternar entre os idiomas.

O mais surpreendente foi que uma grande proporção desses erros de intrusão não eram palavras que os participantes haviam "pulado".

Por meio do uso da tecnologia de rastreamento ocular, Gollan e sua equipe descobriram que esses erros eram cometidos mesmo quando os participantes olhavam diretamente para a palavra em questão.

E embora o inglês fosse a língua principal da maioria dos participantes, eles cometeram mais erros de intrusão com palavras em inglês do que com as palavras que deviam dizer em espanhol, idioma que não dominavam tanto — algo que, segundo Gollan, é quase como uma inversão do domínio do idioma.

"Acho que a melhor analogia é imaginar que há uma condição na qual você de repente se torna melhor em escrever com sua mão não dominante", diz ela.

"Chamamos isso de dominância invertida, e estamos dando grande importância a isso, porque quanto mais penso sobre isso, mais percebo o quão único e louco isso é."

Isso pode acontecer, inclusive, quando estamos aprendendo uma segunda língua — quando os adultos estão imersos no novo idioma, podem achar mais difícil acessar as palavras na sua língua nativa.

De acordo com Gollan, os efeitos da dominância invertida podem ser particularmente evidentes quando os bilíngues alternam entre os idiomas em uma mesma conversa.

Ela explica que, ao misturar idiomas, os multilíngues fazem uma espécie de malabarismo, inibindo o idioma mais forte para equilibrar as coisas — e, às vezes, vão longe demais na direção errada.

Os bilíngues tentam tornar as duas línguas igualmente acessíveis, inibindo a língua dominante para facilitar a alternância", diz ela. "Mas, às vezes, eles 'excedem' nessa inibição, e acabam falando mais devagar do que na língua que não é dominante."

Medicina traz descobertas animadoras sobre como frear o envelhecimento


Alexandre, o Grande, o mítico general que lançou as bases da cultura helênica ao expandir os territórios da Macedônia e da Grécia ao Egito e parte da Índia, no século IV a.C., é considerado um dos maiores estrategistas militares de todos os tempos. Foi o responsável por mudar o curso da civilização ao permitir a integração da cultura da terra do filósofo Aristóteles, de quem foi pupilo, com os saberes orientais. Tal biografia lhe conferiu status de imortalidade histórica, e ele sabia disso. Contudo, o conquistador sonhou com a vida eterna também do corpo. Em sua jornada rumo ao Oriente, ele teria tentado localizar a tal fonte da juventude sobre a qual se falava nas conversas em que a mitologia pautava a realidade. Alexandre morreu aos 32 anos, cedo até para aqueles tempos. Seguiram-se a ele outros aventureiros, embalados pela ambição de encontrar o lugar de onde jorraria o líquido da mocidade. A dádiva, como se sabe, não existe. E quem a promete ainda hoje não merece confiança. Contudo, o que deve ser acompanhado com entusiasmo é a evolução da ciência na busca da vida mais longeva e plena.

Há um esforço sem precedentes nessa direção. Nos últimos anos, multiplicaram-se as pesquisas dedicadas ao entendimento do processo de envelhecer, resultando em achados fascinantes. Já se sabe que ele acontece em nível celular. Para se ter uma ideia, as células da pele de um recém-nascido se dividem até noventa vezes. As de pessoas mais velhas, vinte. É parte de um mecanismo biológico natural. O que não era esperado é que elementos externos como poluição, estresse e má alimentação ganhassem tamanha relevância na vida moderna a ponto de conseguirem interferir diretamente no material genético, provocando alterações que aceleram o desgaste estrutural do organismo. Por isso, grande parte dos estudos em andamento tem como objetivo criar meios de prevenir, detectar e tratar as transformações ocorridas dentro do maquinário celular e do DNA para interromper não o envelhecimento, mas a sua aceleração.

Duas das promessas mais recentes apareceram nos Estados Unidos e no Brasil. Lá, a empresa Elevian se prepara para iniciar no próximo ano estudos em humanos com uma proteína que, em animais, mostrou boa eficácia na restauração de estruturas danificadas. O primeiro trabalho envolvendo a GDF11, nome do composto, teve conclusão impressionante. Na Universidade Harvard, os cientistas queriam ver o que aconteceria no tecido cardíaco se o sangue de uma cobaia jovem fosse transferido para um animal velho. O coração acabou rejuvenescido e os pesquisadores, estarrecidos. Estudos posteriores revelaram que o vetor do feito era a proteína, hoje a aposta principal da Elevian, onde se pesquisam eventuais benefícios em órgãos como o cérebro e no sistema musculoesquelético, além do coração.

Por aqui, a Universidade de São Paulo publicou recentemente no periódico científico Nutrition artigo relatando o efeito de uma substância chamada taurina na redução do envelhecimento precoce. O composto auxilia as células a se livrar de moléculas nocivas fabricadas por elas próprias como reação a agressores externos e que podem levá-las ao estado chamado estresse oxidativo, extremamente associado a danos prematuros ao organismo. Depois de separar aleatoriamente 24 voluntárias com idade entre 55 e 70 anos em dois grupos, os cientistas brasileiros trataram metade com placebo e metade recebeu suplementos de taurina durante dezesseis semanas. Ao fim do período, as integrantes que tomaram as doses extras apresentaram maiores concentrações de substâncias que, como a taurina, auxiliam o processo de limpeza das células.

A evolução de outros campos de pesquisa também adiciona conhecimento valioso. Um dos mais reconhecidos, até pelo aspecto prático que oferece, é o que investiga o papel da flora intestinal na saúde como um todo. São relativamente recentes, contudo, as indicações de que mudanças ocorridas no microbioma podem estar associadas a um envelhecimento saudável. Sabe-se que o equilíbrio de microrganismos no sistema digestivo é decisivo para o bom funcionamento do organismo, mas, agora, o que se quer é descobrir se existe e qual seria a relação direta da flora na inibição dos fenômenos que levam a danos celulares precoces.

Um dos fatos que embasam os estudos é a constatação de que o perfil intestinal muda ao longo da vida. Nos três primeiros anos, sofre rápidas transformações. Depois, até a vida adulta, permanece o mesmo e só volta a se modificar na velhice. Estudos iniciais sugerem, porém, que quanto menos alterações nessa fase, melhor. O problema é que o consumo excessivo de alimentos processados e gorduras combinado ao sedentarismo contribui no sentido oposto. Por isso, autores de um dos mais recentes trabalhos sobre o assunto recomendam capricho na ingestão de tudo o que favorece a estabilidade da flora: frutas, grãos integrais, sementes e verduras, além de prática de exercícios.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

'Ouvi muito que pobre não adianta estudar', diz estudante de Ribeirão Preto que ganhou bolsa para doutorado nos EUA

Do ensino público, Claudia Rodrigues Silveira foi uma das 12 pessoas selecionadas no mundo para fazer PhD na University of Central Florida, em Orlando. Família busca ajuda para custear passagens.

A estudante de matemática Claudia Rodrigues da Silveira, de Ribeirão Preto (SP), se prepara para dar um dos passos mais importantes da sua vida acadêmica. Ela foi uma das 12 pessoas no mundo selecionadas para uma bolsa de estudos de doutorado na University of Central Florida, em Orlando, uma das mais renomadas universidades dos EUA.

De origem humilde, Claudia sempre estudou em escola pública e conta que chegou a ser desacreditada por muita gente até chegar onde está hoje.

"Meu primeiro empecilho foi a desigualdade social. Eu ouvi muito que pobre não adianta estudar e nunca vai crescer, porque portas são fechadas quando a gente não tem dinheiro.

A educação não é acessível pra gente. Ouvi muita gente falando isso, vi muita gente desistindo de estudar. Foi ainda mais um gás de tentar mostrar que a gente, sim, pode estudar, a gente, sim, pode e tem o direito".
Claudia teve nos pais os maiores incentivadores. Eles mesmos não puderam estudar muito, mas não faltou estímulo para que a filha pudesse seguir os sonhos.

"A educação vem transformando a minha vida de forma bem intensa. Minha mãe é empregada doméstica e eu vejo ela com uma rotina pesadíssima e lutando para que eu possa estudar. Meu pai, nas férias, me levava na biblioteca Altino Arantes, aqui em Ribeirão Preto, e pegava emprestado um livro pra eu ler e eu sempre achei muito bonito esse ato de presentear e incentivar a leitura".

Trajetória
Claudia estudou em escola pública durante a vida inteira. Em certos, momentos, ela conta, chegou a ouvir que não deveria se dedicar tanto, pois não chegaria longe.

"Por vir de ensino básico público, já ouvi muita gente falando que eu sou pobre e não tem porque estudar, não vai mudar nada".

Antes de ser aprovada no curso de matemática na Universidade de São Paulo (USP) em 2014, a jovem fez cursinho popular com aulas dadas por voluntários a estudantes de baixa renda. Ela mal acreditou quando recebeu do irmão a notícia que tinha passado.

"Meu irmão me ligou e foi minha maior felicidade. Foi algo que, se não tivesse acontecido, provavelmente eu ia começar a trabalhar e desvirtuar totalmente do ensino".
De lá para cá, Claudia vem conquistando uma vitória atrás da outra. O diploma da universidade a levou a um mestrado no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro (RJ), uma das instituições referência no mundo.

Passo a passo, a estudante foi trilhando seu caminho até a maior conquista: o doutorado nos Estados Unidos, sonho de criança, como diz a mãe, Odésia Silveira.

"Deu até tremedeira quando ela falou que passou na prova pra estudar nos Estados Unidos, que é o sonho dela. A sensação é muito boa, queria falar para o mundo inteiro. Estou muito orgulhosa e muito preocupada, por conta da situação financeira".

Família sem recursos para passagens:

Empregada doméstica, Odésia está atualmente sem trabalho porque tem se dedicado a cuidar do marido, João Marinho da Silveira, diagnosticado com mal de Alzheimer.
Claudia compartilha a preocupação da mãe com as despesas iniciais da viagem. Embora vá estudar de graça, o custo com a passagem e a estadia inicial em Orlando são por conta dela.

"Meu pai tem Alzheimer, e minha mãe precisa estar em casa, porque meu pai demanda atenção 24 horas. Ela busca um emprego pra lavar e passar roupa em casa para conseguir cuidar do meu pai e gerar renda. Eu quero oferecer pra eles o melhor assim que eu puder. Eu quero que eles sejam muito felizes também". Apesar das dificuldades, a estudante sabe que a viagem vai ser apenas mais um obstáculo que vai ter de enfrentar.

"A Claudia criança era uma menina muito sonhadora, muito estudiosa, muito carinhosa e que gostava muito de estudar. A Claudia adulta é realizadora de sonhos e que sonha muito alto ainda, em busca de levar o nome do Brasil e da ciência mundo afora".

8 em cada 10 professores da rede pública relataram dificuldade em atender alunos com deficiência na pandemia, aponta pesquisa do Cetic


O atendimento aos alunos com deficiência foi uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos professores das redes de ensino pública e particular nos anos de pandemia, mostra levantamento do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Os dados são referentes a 2021 e foram divulgados nesta terça-feira (12).

Segundo o levantamento, 80% dos professores de ensino fundamental e médio da rede pública (municipal, estadual e federal) relataram dificuldade em atender alunos com deficiência durante a pandemia. Na rede particular de ensino, o percentual foi de 60%.

O estudo foi feito com 1.865 professores de todo o país entre setembro de 2021 e maio de 2022.

Ana Maria Freire é coordenadora pedagógica do Colégio Escritor Monteiro Lobato, em Porto Alegre, e conta que precisaram de protocolos específicos para atender alunos com deficiência. Era preciso viabilizar o atendimento presencial de professores a alunos que precisavam.

"Nossos alunos tinham fácil acesso ao nosso sistema remoto, mas alguns têm sensibilidade à tela, outros têm limitação motora. Então era preciso aulas presenciais e isso demandava muitos cuidados, testes recorrentes e o auxílio dos pais", avalia.

A aluna Bruna Medeiros, de 18 anos, viveu o outro lado da experiência e conta que o despreparo dos professores para lecionar em uma situação de pandemia foi perceptível. Bruna é autista, diagnosticada há 3 anos, e teve dificuldade para concluir o ensino médio pela escola estadual em que estudou, em Resende, Rio de Janeiro.

"Na sala de aula já era difícil, porque os professores não sabem lidar [com pessoas autistas]. Mas no meu último ano, em 2021, senti que não tinha espaço para aprender, só para ganhar nota com as atividades para passar de ano", conta.
As dificuldades mais relatadas pelos professores ouvidos pelo levantamento foram falta de apoio de pais responsáveis nas atividades escolares, defasagem na aprendizagem dos alunos e falta de acesso à internet.