A possibilidade de Fernando Haddad (PT-SP) substituir Lula como candidato a presidente da República anima integrantes do mercado financeiro. Banqueiros e executivos já chegaram a abordar lideranças do PT e o próprio ex-ministro para falar sobre o tema. As declarações dúbias de Lula sobre a própria candidatura estimulam a movimentação. Na quarta (8), por exemplo, o presidente disse em entrevista ao portal ICL Notícias que "ainda" não decidiu se vai "ser candidato".
Na sequência, afirmou que tem "o acúmulo de
experiência que ninguém tem nesse país", sinalizando que a maior
probabilidade é a de que ele concorra à reeleição. As lideranças do PT que já
foram abordadas e o próprio Haddad descartam a possibilidade de Lula desistir
da candidatura, mesmo diante de números eleitorais que mostram que deve
enfrentar uma campanha dura contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Lideranças do setor financeiro, no entanto, ainda
mantêm o que pode ser definido como esperança, já que preferem um governo de
Haddad a uma continuidade de Lula na presidência. Como revelou a coluna no
começo de março, Haddad empata tecnicamente com o Flávio em um cenário de
disputa de segundo turno nas eleições presidenciais. Ele tem 41% dos votos,
contra 43% do filho de Bolsonaro.
O fato de o ex-ministro ser competitivo como
candidato a presidente levou lideranças do partido a enxergarem nele um plano B
viável caso Lula, em um cenário considerado improvável, mas não impossível,
desista de concorrer à Presidência.
Lula é considerado o mais forte candidato que a legenda poderia apresentar ao eleitorado. Uma eventual candidatura de Haddad, por outro lado, representaria uma grande novidade nas eleições, enquanto o presidente estaria disputando o seu quarto mandato. A rejeição a Lula é de 46%, enquanto a de Haddad é de 27%. Por Mônica Bergamo.
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