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Câmara de Ilhéus - Acompanha sessões remotas

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segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Campanha de Lula decide antecipar anúncios com metas para programas como o Bolsa Família

A campanha do ex-presidente Lula decidiu antecipar anúncios e colocar na rua metas concretas para um eventual novo governo petista.

Transformar o formato do novo Bolsa Família em promessa de campanha é carro-chefe da estratégia, segundo integrantes do QG petista. Mas o plano vai além disso. O programa, que foi rebatizado para “Auxílio Brasil” por Jair Bolsonaro, será ampliado e terá um valor maior de forma permanente. O plano é que o benefício seja, ao menos, os atuais R$ 600 mais a inflação acumulada para o ano que vem.

Além disso, a campanha do PT entende que é preciso desenhar e divulgar metas para programas que são marcas de governos petista, como o habitacional Minha Casa, Minha Vida, o Fies e o Prouni. Os números que serão apresentados ainda estão sendo fechados. Acenos concretos ao agronegócio, com formato do Plano Safra para um governo Lula, e agenda robusta na área ambiental também estão no radar.

O entendimento é que compromissos com o meio ambiente conectam Lula com o eleitorado jovem e com a ideia de que ele vai retomar o diálogo do Brasil com o mundo.

Para a campanha, Lula não pode mais “jogar parado” e precisa começar a “marcar gol”, diz um aliado do petista. De um lado, a campanha entrou em modo “fazer de tudo para levar no primeiro turno”, diz um integrante do QG petista. Por outro lado, há o diagnóstico de que Bolsonaro deve crescer em agosto entre os eleitores que ganham até dois salários mínimos com chegada do novo Auxílio Brasil. Por isso, fazer anúncios objetivos, com metas e acenos para o primeiro ano de governo Lula passa a ser crucial para conter a melhora do rival e também avançar.

Antes, havia avaliação de que diretrizes mais gerais e a memória dos governos Lula comporiam o centro da estratégia. E metas mais concretas poderiam ficar para um eventual governo de transição. O cenário mudou e a ordem agora é colocar um pouco da cara do novo governo Lula na rua, explorando as propostas na campanha intensamente.

O time de Lula trabalha para finalizar o programa de governo até meados de agosto, quando começa a propaganda eleitoral e próximo ao início do horário eleitoral na televisão. Após o lançamento das diretrizes do plano de governo, foram recebidas cerca de 15 mil contribuições para o programa de governo.

Analfabetismo entre crianças de 6 e 7 anos chega a 40,8%


Uma nota técnica divulgada pela organização Todos Pela Educação, nesta terça-feira (8), mostra os efeitos da pandemia de covid-19 na alfabetização: 40,8% das crianças brasileiras entre 6 e 7 anos não sabiam ler e escrever em 2021. Os dados foram levantados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em 2019, o número de crianças não alfabetizadas nessa faixa etária era de 1,429 milhão (equivalente a 25,1%). Em 2021, eram 2,367 milhões — um aumento de 65,6%. O analfabetismo das crianças entre 6 e 7 anos atingiu seu mais alto patamar nos dez anos da Pnad Contínua, iniciada em 2012 (quando a porcentagem era de 28,2%)

A nota da Todos Pela Educação destaca o impacto acentuado sobre a população negra: 47,4% das crianças pretas e 44,5% das pardas não sabiam ler e escrever em 2021, ante 35,1% das brancas. O crescimento da taxa de analfabetismo foi maior para a população branca, no entanto: houve um salto de 88,5% de 2019 a 2021, diante de 69% entre crianças pretas e 52,7% entre pardas. O levantamento não analisou dados de amarelos, indígenas e não declarantes.

Com a pandemia decretada em março de 2020 pela OMS (Organização Mundial da Saúde), escolas foram fechadas em todo o mundo a fim de reduzir o alastramento da covid-19. Segundo um relatório publicado em setembro de 2021, o Brasil foi o país que mais tempo ficou sem aulas presenciais nos ensinos infantil e fundamental, levando em conta membros e parceiros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

“As crianças negras e as mais pobres tiveram menos oportunidade de continuar estudando durante a pandemia, principalmente por terem tido menos acesso ao ensino remoto”, disse Gabriel Corrêa, gerente de políticas educacionais do Todos pela Educação, ao jornal Folha de S.Paulo. “Precisamos de ações pensadas para quem foi mais prejudicado. Infelizmente, não é o que estamos vendo”.

Fonte: Nexo jornal

sábado, 30 de julho de 2022

Jovem que abortou em El Salvador é condenada a 50 anos de prisão


Um tribunal salvadorenho condenou uma mulher de 21 anos que abortou após uma emergência obstétrica a 50 anos de prisão pelo crime de homicídio agravado, informou nesta segunda-feira (4) uma organização que a defende. El Salvador é um dos países com algumas das leis mais rígidas contra o aborto.

De acordo com o relatório do Grupo Cidadão para a Descriminalização do Aborto, na noite de 17 de junho de 2020, a mulher, identificada como Lesly Ramírez, teve uma emergência enquanto estava em sua casa e que a situação a levou a ter um parto de seu feto de cerca de cinco meses.

A família e os vizinhos da jovem, então com 19 anos, chamaram a polícia para levá-la a um hospital público no departamento de San Miguel, informou a ONG.

Em 26 de junho de 2020, um juiz de instrução ordenou a prisão provisória de Ramírez, apesar de ela não estar presente na audiência devido ao seu delicado estado de saúde. Em meados da semana passada, um tribunal a condenou a 50 anos de prisão pelo crime de homicídio agravado.

“As organizações de mulheres rejeitam a decisão judicial e vão recorrer. Esta é a primeira vez na história que a pena máxima é aplicada desde que o aborto foi absolutamente criminalizado”, disse a organização feminista em comunicado.

A Promotoria, no entanto, argumentou em nota que a pena severa foi imposta porque a jovem assassinou a recém-nascida após causar vários ferimentos no pescoço com uma faca.

Apesar de nos últimos anos ter ocorrido um avanço da “maré verde” na América Latina em busca de acesso ao aborto legal e seguro, o procedimento, sem restrição de motivos, só é permitido em poucos países.

Junto com Nicarágua, Honduras e República Dominicana, El Salvador é um dos quatro países latino-americanos que proíbem o aborto sem exceção.

Injeção contra o câncer de mama inicial tem bons resultados em testes em animais


Um novo estudo em fase pré-clínica (não testado em humanos) para tratamento do câncer de mama em estágio inicial se mostrou promissor em eliminar completamente a doença de uma forma menos invasiva que as terapias convencionais. Os resultados foram publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Science.

De modo geral, o câncer de mama é o tumor mais frequente nas mulheres do mundo inteiro. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2020, havia 2,3 milhões de mulheres diagnosticadas com câncer de mama e 685 mil mortes globais.

No Brasil, as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que cerca de 66.280 pessoas devem ser diagnosticadas anualmente com câncer de mama. No que se refere ao número de mortes pela doença, o levantamento do Inca mostrou que 18.032 morrem anualmente no país em decorrência do tumor.

Já nos Estados Unidos, esse tipo de câncer afeta 69 mil mulheres a cada ano, e em vários casos, elas acabam fazendo cirurgia de remoção de mama e tratamentos de radiação para esses cânceres muito precoces.

Em outras situações, alguns pacientes recebem quimioterapia ou terapias hormonais, explicou a autora principal do estudo Saraswati Sukumar, professor de oncologia e patologia da Universidade de Johns Hopkins.

Agora, o trabalho realizado em camundongos fornece uma forte base pré-clínica para a realização de ensaios de viabilidade e segurança com pacientes que têm câncer de mama em estágio 0, também conhecido como carcinoma ductal in situ (DCIS), de acordo com os autores.

O tumor DCIS é caracterizado pela presença de células pré-cancerosas anormais dentro dos ductos de leite na mama. Nesta fase da doença, as células cancerosas estão somente na camada da qual elas se desenvolveram e ainda não se espalharam para outras camadas do órgão de origem.
Menos invasivo
Pensando em evitar um tratamento invasivo como mastectomia (retirada da mama), a equipe de pesquisa propôs uma tipo de terapia que consiste na aplicação de uma injeção com a droga imunotoxina pelo duto mamário, que poderia poderia resultar na limpeza do DCIS.

“Para nossa grande surpresa, as drogas “mataram” todas as lesões presentes naquele ducto mamário. Eu nunca tinha visto resultados tão expressivos em minha vida”, disse Sukumar.

Durante suas investigações com camundongos, os pesquisadores primeiro avaliaram os efeitos de morte celular de HB21(Fv)-PE40, uma imunotoxina direcionada, em quatro linhagens celulares de diferentes subtipos moleculares de câncer de mama.

Essa toxina consiste em HB21, um anticorpo monoclonal (proteína que pode se ligar a um alvo específico — neste caso, ao receptor de transferrina humana (TRF), uma proteína transportadora encontrada em câncer de mama).

A HB21 foi fundido ao PE40, um fragmento de uma toxina bacteriana que interrompe a produção de proteínas nas células e leva à morte celular.

As descobertas mostraram que essa infusão induziu fortes efeitos de morte do tumor em todas as linhagens celulares.

Os pesquisadores também administraram o tratamento em 10 camundongos para procurar toxinas circulando no sangue após o tratamento e não encontraram-nas entre cinco e 30 minutos após a injeção.

Sem recorrência do tumor
A equipe de pesquisa dividiu os camundongos em dois grupos diferentes para administrar o tratamento a fim de comparar o resultado o MCF7 e o SUM225. Ambos possuíam o tumor DCIS.

O primeiro grupo, MCF7, foi administrado uma vez por semana durante três semanas. Os tratamentos foram acompanhados com imagens não invasivas. Para comparar, eles também administraram a injeção no corpo dos camundogos e também injetaram o anticorpo HB21 sozinho nos dutos em alguns dos animais.

Os resultados mostraram que os animais que receberam injeções de tratamento com toxinas HB21 (Fv)-PE40 no corpo tiveram um crescimento tumoral mais lento. No entanto, os tumores recorreram após a interrupção do tratamento por volta do 26º dia.

Aqueles que receberam o HB21 sozinho nos dutos tiveram tumores invasivos no 61º dia após a injeção.

Já os camundongos que receberam o tratamento direto nos ductos mamários, tiveram os tumores completamente eliminados duas semanas após a conclusão de dois dos três tratamentos propostos, e nenhuma recorrência foi detectada por imagem mesmo após 61 dias da injeção de HB21 (Fv)-PE40.

Para monitorar a evolução do tratamento, os pesquisadores realizaram exames de patologia das glândulas mamárias no 32ª segundo dia. Eles descobriram que as células tumorais estavam ausentes e a arquitetura era consistente com as glândulas mamárias normais.

No segundo grupo (SUM225), os pesquisadores experimentaram um piloto com o tratamento com toxina que mostrou a eliminação de tumores em apenas duas semanas de tratamento, conforme visto por imagem. Não houve recorrência da doença até o encerramento do experimento, 48 dias depois.

Para rastrear, um segundo experimento testou a mesma dose em um grupo e 1/10 da dose do tratamento em outro, bem como o anticorpo HB21 sozinho, em algumas amostras.

Na maioria das glândulas mamárias não houve incidência de tumor após o tratamento intraductal completo, com efeitos mais fracos observados no grupo que recebeu a dose mais baixa.

Os resultados também mostraram que os tumores SUM225 crescem agressivamente no local do ducto. Estudos de patologia demonstraram que o anticorpo HB21 sozinho teve pouco efeito, enquanto o tratamento conjugado de imunotoxina (HB21 (Fv)-PE40.) mostrou um efeito significativo na redução do tumor.

O tratamento foi bem tolerado, sem efeitos colaterais da toxina ou injeção.

Como funcionaria a injeção em humanos
Como o estudo ainda está na fase pré-clínica, os especialista do Inca explicaram que, caso avance, o tratamento pode se mostrar útil para outros tipos de tumores.

“Sem dúvida que a estratégia pode ser útil para os tumores que expressarem altos níveis de transferrina humana receptora (TRF). No câncer de mama o TRF é expresso em vários subtipos, o que pode ser um alvo promissor”, disseram

Contudo, apontam que os ensaios podem apresentar outros resultados quando mudarem de fase.

“Muitas substâncias que apresentam sucesso em ensaios nos modelos animais não atingem a mesma resposta em humanos. Por isso, como a pesquisa é muito preliminar, embora com resultados interessantes em animais, devemos aguardar os estudos clínicos para sabermos quão bem ela funcionaria no mundo real”, avaliou o Inca.

Para os especialistas do instituto nacional, ainda há á um caminho muito longo a percorrer para que possamos afirmar algo com relação a este estudo.

“Na prática é apenas mais um possibilidade ainda. Mas o trabalho segue uma tendência interessante que temos visto em outras estratégias, inclusive para tumores de mama”, disse o Inca.

Identificando o câncer de mama precocemente
A injeção proposta para pacientes de câncer de mama teve bons resultados na fase pré-clínica porque o turmor estava em estágio inicial. À CNN, a oncologista Débora Gagliato, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, contou que quando diagnosticado precocemente, as chances de cura do câncer de mama tendem a ser “altíssimas”.

“Hoje, um tumor adequadamente manejado, diagnosticado precocemente, localizado apenas na mama, tem chances de cura bem elevadas, da ordem dos 95% [de chances]”, explicou.

Em alguns casos, os sintomas iniciais podem aparecer por meio de um nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher.

Algumas manchas avermelhadas, e mama retraída ou parecida com casca de laranja. Os sintomas também incluem alterações no bico do peito, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço e saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos, segundo o Inca.

Mas, nem sempre o tumor é diagnosticado precocemente — o que dificultaria as chances de cura. Gagliato explicou que em alguns casos pode não haver qualquer sintoma. “Muitas vezes o câncer de mama não manifesta sintomas, por isso a importância dos exames de rastreio”, avaliou.

Segundo a oncologista, os principais exames para diagnóstico são a mamografia e ultrassonografia de mama. “Depois, outros exames adicionais, como a ressonância [magnética], podem ser importantes dependendo do contexto, da densidade mamária, da história familiar ou fatores genéticos”, afirma.

Para o Inca, quanto mais pudermos direcionar a toxicidade de fármacos e toxinas para o tumor, maiores chances temos de encontrar tratamentos que mudem o curso dos tumores que mais afligem a população hoje em dia, como o câncer de mama, o mais incidente no mundo.

Diagnosticar precocemente seria o cenário ideal para o tratamento de injeção específica dos pesquisadores da Universidade de Johns Hopkins.

De acordo com Sukumar, o estudo clínico [em humanos] deve avançar. “Uma ou duas semanas antes da cirurgia, os cientistas podem administrar às mulheres uma dose baixa de HB21(Fv)-PE40 através de um único duto e usar doses crescentes lentamente para determinar se alguma imunotoxina escapa dos dutos para a corrente sanguínea e afeta a função hepática. Eles também examinaria os ductos após a remoção da mama para procurar alterações no tecido e seu efeito em lesões pré-cancerosas”, finalizou.

Caixa terá espaço dedicado exclusivamente a atender mulheres


Até o início de agosto, cerca de 100 agências e postos de atendimento da Caixa deverão contar com um espaço criado especialmente para proteção e promoção do público feminino. A previsão foi antecipada pela nova presidente do banco estatal, Daniella Marques, entrevistada do programa A Voz do Brasil desta segunda-feira (11)

De acordo com a presidente da Caixa, no local, o público feminino poderá se informar sobre canais de denúncia dos crimes contra mulheres. E também sobre serviços como abertura de empresas e crédito. Segundo ela, mulheres são donas de 80% da decisão de consumo, mas apenas 20% do crédito.

Canal interno
O mesmo processo de acolhimento está sendo implementado na Caixa para as 35 mil funcionárias que trabalham no banco. “Eu quero me aprofundar nas questões profissionais e aonde estão as barreiras internas para que a gente capacite lideranças, que a gente vocacione o time de mulheres que trabalham na Caixa”.

Rumos da Caixa
A nova presidente da estatal falou sobre as primeiras medidas tomadas após tomar posse como presidente. “Tive orientação do alto comando da Caixa para promover o afastamento de algumas pessoas. Estou trazendo outros consultores estratégicos, da minha confiança, cada um especializado em um tema”, disse, citando áreas como gestão de pessoas, empreendedorismo, de crédito entre outras.

De qualquer forma, Daniella garante que a vocação do banco será mantida: “A Caixa é o banco do social, é o banco do cidadão é o banco que está presente na vida dos brasileiros no dia a dia, que opera os benefícios sociais do governo federal. É o banco que está presente na habitação, que está presente no FGTS, que opera as loterias quando vai fazer a fezinha no domingo. O que a gente quer é reforçar esse enfoque no cidadão e também atuar muito próximo às prefeituras, aos municípios nos projetos ligados a saneamento à iluminação pública, creches, escolas.”

Daniella destacou na entrevista que o objetivo é usar o empreendedorismo como ferramenta de transformação social. “A gente quer apoiar o cidadão brasileiro na sua independência financeira, na realização dos seus sonhos e também estar presente na vida deles em parceria com as prefeituras para estar desenvolvendo projetos de utilidade pública”.

Mulheres no setor de saúde e assistência ganham 24% menos que os homens, diz OMS


As mulheres no setor de saúde e cuidados enfrentam uma maior disparidade salarial em comparação aos homens do que em outros setores econômicos. Em média, elas ganham 24% menos do que seus pares do sexo masculino.

Os dados são de um novo relatório conjunto da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta quarta-feira (13).

Uma das análises mais abrangentes do mundo sobre desigualdades salariais de gênero na saúde, o relatório revela uma disparidade salarial bruta de aproximadamente 20 pontos percentuais, que salta para 24 pontos percentuais ao levar em conta fatores como idade, educação e tempo de trabalho.

O relatório destaca que as mulheres são mal remuneradas por seus atributos do mercado de trabalho quando comparadas aos homens e afirma que grande parte da diferença salarial é inexplicável e pode ser associada à discriminação em relação às mulheres, que representam 67% dos profissionais de saúde e assistência em todo o mundo.

O documento aponta que os salários no setor de saúde e cuidados tendem a ser mais baixos em geral, quando comparados com outros âmbitos da economia. Os achados vão ao encontro da constatação de que os salários geralmente são mais baixos em setores econômicos onde as mulheres são predominantes.

No contexto da pandemia de Covid-19, que destacou o papel crucial desempenhado pelos profissionais de saúde e assistência, o estudo indica que foram poucas as melhorias na igualdade salarial entre 2019 e 2020.

As disparidades salariais também apresentam grande variação em diferentes países. As diferenças de remuneração tendem a ser maiores nas categorias salariais mais altas, onde os homens ocupam a maior parte dos cargos. Enquanto isso, mulheres são maioria nas categorias de remunerações mais baixas.

“As mulheres constituem a maioria dos trabalhadores no setor de saúde e assistência, mas em muitos países os preconceitos sistêmicos estão resultando em penalidades salariais perniciosas contra elas”, disse Jim Campbell, diretor de Força de Trabalho da Saúde da OMS.

Os impactos podem ser ainda mais notáveis para as mães que trabalham no setor de saúde e assistência. Durante os anos reprodutivos de uma mulher, as disparidades salariais no setor aumentam significativamente. Essas lacunas persistem por todo o resto da vida profissional da mulher, segundo o estudo.

O relatório aponta que uma divisão mais equitativa dos deveres familiares entre homens e mulheres pode, em muitos casos, levar as mulheres a fazer escolhas profissionais diferentes.

A análise também analisa os fatores que estão impulsionando as disparidades salariais de gênero no setor. As diferenças de idade, educação, tempo de trabalho e a diferença na participação de homens e mulheres nos setores público ou privado abordam apenas parte do problema.

As razões pelas quais as mulheres recebem menos do que os homens com perfis semelhantes no mercado de trabalho no setor de saúde e assistência em todo o mundo permanecem, em grande parte, sem explicação por fatores do mercado de trabalho, diz o relatório.

“O setor de saúde e assistência tem sofrido com baixos salários em geral, disparidades salariais teimosamente grandes e condições de trabalho muito exigentes. A pandemia de Covid-19 expôs claramente esta situação, ao mesmo tempo que demonstrou o quão vital o setor e os seus trabalhadores são para manter as famílias, sociedades e economias em funcionamento”, disse Manuela Tomei, diretora do Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade da Organização Internacional do Trabalho.

Segundo Manuela, a melhoria na oferta de serviços de saúde e assistência está associada diretamente às condições de trabalho, o que envolve uma remuneração mais justa.

“Chegou a hora de uma ação política decisiva, incluindo o diálogo político necessário entre as instituições. Esperamos que este relatório detalhado  e confiável ajude a estimular o diálogo e as ações necessárias para criar isso”, afirma.