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sábado, 30 de julho de 2022

Brasil tem quase cinco milhões de mulheres a mais que homens, diz IBGE


A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta sexta-feira (22), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, em 2021, 51,1% da população brasileira era do sexo feminino. O dado representa 4,8 milhões de mulheres a mais que homens no país.

O trabalho aponta a existência de 108,7 milhões de mulheres e 103,9 milhões de homens, em um contingente populacional de 212,6 milhões de pessoas. A participação feminina na população é superior à masculina desde o início da série histórica, em 2012.

Segundo o IBGE, há 95,6 homens para cada 100 mulheres no Brasil. Uma lógica que se reproduz em quase todas as regiões do país. Apenas no Norte a lógica é diferente: há 102,3 homens a cada 100 mulheres.

A pesquisa apontou que, entre 2012 e 2021, houve redução dos percentuais de mulheres e homens em todas as faixas etárias até 34 anos. Nas faixas etárias acima de 34 anos, houve crescimento tanto para os homens quanto para as mulheres. O levantamento também mostrou que a população masculina tem um padrão mais jovem.

“Nos grupos de idade de 0 a 4 anos e de 5 a 9 anos é observada uma razão de sexo (população masculina em relação à população feminina) mais elevada quando comparados aos demais grupos etários, sendo, respectivamente, de 104,8 e 104,7 homens para cada 100 mulheres nesses grupos”, diz um trecho do relatório da pesquisa.

No entanto, o órgão ressalta que, como a mortalidade dos homens é maior em cada uma das faixas etárias, a razão de sexo tende a reduzir com o aumento da idade.

“No grupo etário de 25 a 29 anos, o contingente de homens e de mulheres era similar, correspondendo, cada um, a 4,0% da população total. A partir dos 30 anos, o percentual de mulheres era superior ao dos homens em todos os grupos de idade, sendo a proporção de 26,6% e 29,5%, respectivamente, de homens e mulheres”, explica a pesquisa.

Entre os idosos, também há uma concentração maior de mulheres. Segundo o IBGE, a razão de sexo calculada para as pessoas a partir dos 60 anos é de aproximadamente 78,8 homens para cada 100 mulheres. Em relação à população a partir dos 70 anos, a razão é ainda menor. São 71,8 homens para cada 100 mulheres.

Segundo o instituto, a explicação para o fenômeno é o fato de a expectativa de vida entre as mulheres ser maior.

Mais de 160 milhões de mulheres não têm acesso a anticoncepcionais, diz estudo


Mais de 160 milhões de mulheres e adolescentes não tiveram acesso a métodos contraceptivos no mundo em 2019. Os dados são de um dos mais amplos estudos sobre o tema, publicado nesta quinta-feira (21), na revista científica “The Lancet”.

A pesquisa apresenta estimativas do uso, da necessidade e dos diferentes tipos de anticoncepcionais em todo o mundo em um contínuo de 1970 a 2019. Os índices apontam estatísticas por país, faixa etária e estado civil.

De acordo com o estudo Carga Global de Morbidade (Global Burden of Disease), a expansão do acesso à contracepção está ligada ao empoderamento social e econômico das mulheres e a melhores resultados de saúde, além de ser um objetivo fundamental de iniciativas internacionais e um indicador dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O uso de anticoncepcionais também está relacionado a reduções na mortalidade materna e neonatal, prevenindo gravidez indesejada. Segundo o estudo, ao permitir que as mulheres planejem o momento da gestação, a contracepção também contribui para que adolescentes e mulheres permaneçam na escola.

Análise
Com base em dados de 1.162 pesquisas representativas sobre o uso de anticoncepcionais pelas mulheres, os autores usaram modelagem para produzir estimativas nacionais de vários indicadores de planejamento familiar, incluindo a proporção de mulheres em idade reprodutiva (no estudo, entre 15 e 49 anos) que usam qualquer método anticoncepcional.

A análise estimou também a proporção das mulheres em idade reprodutiva que utilizam métodos modernos, os tipos de anticoncepcionais em uso, demanda satisfeita com métodos modernos e necessidade não atendida de qualquer método anticoncepcional.

No estudo, a necessidade de contracepção foi definida considerando mulheres casadas ou solteiras, sexualmente ativas, capazes de engravidar e não querendo ter um filho dentro de dois anos, ou se estivessem grávidas ou acabassem de dar à luz, mas teriam preferido adiar ou prevenir sua gravidez.

Lacunas permanecem após progresso global
Desde 1970, o mundo tem visto aumentos no uso de contraceptivos, impulsionados por uma mudança significativa do uso de métodos tradicionais menos eficazes para o uso de contraceptivos modernos e mais eficazes, incluindo pílulas anticoncepcionais orais, dispositivo intrauterino (DIU) e métodos de esterilização masculinos e femininos.

Em todo o mundo, a proporção de mulheres em idade reprodutiva usando métodos contraceptivos modernos aumentou de 28% em 1970 para 48% em 2019. A demanda satisfeita aumentou de 55% em 1970 para 79% em 2019.

No entanto, o estudo da “Lancet” aponta que ainda existem lacunas significativas quanto ao uso. Apesar dos aumentos, 163 milhões de mulheres, para as quais a contracepção foi necessária em 2019, não estavam utilizando nenhum tipo de método para prevenir a gravidez à época.

“Todas as mulheres e adolescentes podem se beneficiar do empoderamento econômico e social que os contraceptivos podem oferecer. Nossos resultados indicam que onde uma mulher vive no mundo e sua idade ainda afetam significativamente o uso de contraceptivos”, afirma a pesquisadora Annie Haakenstad, do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME, na sigla em inglês), da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

Disparidades entre os países
Em 2019, a disponibilidade de contraceptivos ainda apresentava diferenças notáveis entre as regiões e entre os diferentes países.

Sudeste Asiático, Leste Asiático e Oceania tiveram o maior uso de anticoncepcionais modernos (65%) e satisfação (90%). Por outro lado, a África Subsaariana teve o menor uso dos dispositivos (24%) e também de satisfação (52%).

Na comparação entre os países, os níveis de uso de contraceptivos mais modernos variaram de 2% no Sudão do Sul a 88% na Noruega. A necessidade não atendida foi maior no Sudão do Sul (35%), na República Centro-Africana (29%) e em Vanuatu (28%) em 2019.

A Iniciativa de Planejamento Familiar 2020 estabeleceu a meta de aumentar o número de mulheres que usam contracepção moderna em 120 milhões entre 2012 e 2020 em 69 países prioritários.

O estudo estimou que o número de mulheres em uso de contracepção aumentou em 69 milhões entre 2012 e 2019 nesses países (excluindo o Saara Ocidental), deixando 51 milhões aquém da meta se esses níveis permanecerem inalterados em 2020.

Lacuna maior entre mulheres jovens
O estudo aponta que, em comparação com outros grupos, mulheres e adolescentes nas faixas etárias de 15 a 19 e 20 a 24 anos têm as menores taxas de demanda atendida globalmente – estimadas em 65% e 72%, respectivamente. O estudo aponta que as maiores lacunas globais foram identificadas entre mulheres jovens e casadas.

Aquelas com idades entre 15 e 24 anos representam 16% da necessidade total, mas 27% das necessidades não atendidas – totalizando 43 milhões de mulheres jovens e adolescentes em todo o mundo que não tiveram acesso aos contraceptivos de que precisavam em 2019.

“É importante ressaltar que nosso estudo chama a atenção para o fato de as mulheres jovens estarem super-representadas entre aquelas que não podem acessar a contracepção quando precisam. Estas são as mulheres que mais têm a ganhar com o uso de contraceptivos, uma vez que adiar a gravidez pode ajudar as mulheres a permanecer na escola ou a obter outras oportunidades de formação e a entrar e manter um emprego remunerado”, afirma Annie.

Variedade contraceptiva
O estudo da “Lancet” aponta, ainda, que a falta de variedade contraceptiva pode significar que não há opções adequadas para certos grupos populacionais. Os achados indicam que os tipos de métodos contraceptivos em uso variam significativamente de acordo com o local.

Os autores sugerem que a predominância de métodos únicos pode indicar a falta de escolhas adequadas para mulheres e meninas adolescentes, por exemplo.

Em 2019, a esterilização feminina e as pílulas orais foram os principais contraceptivos na América Latina e no Caribe, diferentemente de países de alta renda que concentraram o uso de pílula e preservativos, enquanto o DIUs e preservativos foram os métodos mais usados na Europa Central e Oriental e na Ásia Central.

A esterilização feminina representou mais da metade de todo o uso de anticoncepcionais no Sul da Ásia. Além disso, em 28 países, mais da metade das mulheres estava usando o mesmo método, indicando que pode haver uma disponibilidade limitada de opções nessas áreas.

“A diversificação de opções em áreas que podem depender excessivamente de um método pode ajudar a aumentar o uso de anticoncepcionais, principalmente quando o método mais usado é permanente. Para ampliar o acesso, instamos os formuladores de políticas a usar essas estimativas para observar como a escolha contraceptiva interage com a idade e o estado civil em seus países”, afirma o professor Rafael Lozano, da Universidade de Washington.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

“Qual ameaça que eu estou oferecendo à democracia?”, diz Bolsonaro sobre carta


O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a fazer críticas, nesta quinta-feira (28), ao manifesto pela democracia, assinado por personalidades de renome, e questionou que tipo de ameaça ele próprio estaria representando às instituições do país.

Em conversa com apoiadores em Brasília, Bolsonaro disse que a atitude de alguns banqueiros de assinar a carta é uma retaliação à implantação do sistema PIX — mesmo argumento citado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), para condenar o documento, na última terça (26).

“Foi no nosso governo a criação do PIX. Alguém falou ‘vamos taxar’, eu falei ‘não, não tem taxação não’.”

Esse negócio de carta aos brasileiros, à democracia, os banqueiros estão patrocinando. É o PIX, que eu dei uma paulada neles. Os bancos digitais, que nós facilitamos, também. Nós estamos acabando com o monopólio dos bancos. Eles estão perdendo poder. Carta pela democracia. Qual ameaça que eu tô oferecendo à democracia?”, questionou Bolsonaro.

O presidente já havia feito críticas à iniciativa, que surgiu da iniciativa de alunos, professores e diretoria da Faculdade de Direito da USP (FDUSP). Ontem, durante a convenção do PP, Bolsonaro disse que não precisa de “cartinha” para demonstrar seu apoio às instituições.

Com mais de 210 mil assinaturas até a manhã desta quinta-feira, a carta reúne personalidades de renome, ex-ministros do STF e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por exemplo. O documento não cita Bolsonaro.

A “Carta aos Brasileiros” será lida pelo ex-presidente do STF Celso de Mello em um ato na FDUSP, no largo São Francisco, em São Paulo, no dia 11 de agosto.

A divulgação do documento foi antecipada pelo analista da CNN Caio Junqueira.

Em entrevista à CNN nesta quarta, o diretor da FDUSP, Celso Fernandes Campilongo, afirmou que o manifesto é uma reação aos ataques a tribunais, ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas.

Segundo explicou, essa situação “tem claramente um intuito de gerar desconfiança em relação às instituições”.

*Publicado por Marcelo Tuvuca

Quarta dose da vacina contra a covid-19 pode dar reação mais forte?


Desde março, o Ministério da Saúde recomenda a aplicação da segunda dose de reforço da vacina contra a covid-19.

A chamada quarta dose —para quem iniciou a vacinação com Pfizer, CoronaVac ou AstraZeneca— é necessária porque a proteção contra a doença cai ao longo do tempo. E, assim como foi na aplicação de outras doses, algumas pessoas que estão recebendo o imunizante têm sofrido reações como febre e dores no corpo. Mas por que isso acontece? A quarta dose gera mais efeitos adversos? Explicamos a seguir.

Por que temos reação às vacinas?
Reações são algo totalmente normal e esperado ao receber qualquer imunizante —o que não significa que você sempre vá sofrer com efeitos adversos ao ser vacinado. As reações podem ocorrer pois, para que nosso organismo gere uma resposta imunológica, as vacinas provocam uma inflamação. Esse processo inflamatório é que pode causar sintomas como dor no braço, dor de cabeça ou no corpo, febre baixa, indisposição, diarreia etc.

"Qualquer vacina pode gerar reação, é esperado, o corpo reconhece aquilo como uma agressão e vai usar diferentes ferramentas para combatê-la", explica Marcelo Ducroquet, infectologista e professor da Universidade Positivo, em Curitiba (PR).

Os tipos e a intensidade dos sintomas variam de pessoa para pessoa e não querem dizer que a vacina gerou mais ou menos anticorpos.

A quarta dose dá reação mais forte?
Isso não é o esperado. Geralmente, após tomar uma vacina, as doses sequentes tende a provocar efeitos adversos mais fracos, pois o nosso organismo já conhece o antígeno e sabe que não precisa reagir tão fortemente a ele.

Em estudos com a Pfizer e a Moderna nos EUA, por exemplo, houve diminuição de efeitos colaterais a cada dose. "Talvez, quem tomar na quarta dose a mesma vacina que recebeu anteriormente não sinta nada ou tenha poucos efeitos adversos", diz Ducroquet.

Mas por que há gente sofrendo forte reação? Segundo Lorena de Castro Diniz, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), provavelmente, essas pessoas receberam na segunda dose de reforço um imunizante de fabricante diferente do que nas doses anteriores. Então, como o organismo ainda não teve contato com aquele antígeno específico, a reação inflamatória tende a ser mais forte.

"Mas são efeitos adversos leves, tranquilos e benignos", explica Diniz. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, dores no corpo e dor no local de aplicação, que costumam sumir em até dois dias e podem ser aliviados com uso de analgésicos. Entre prós e contras, os especialistas recomendam que, quem já pode, deve tomar o quanto antes a quarta dose.

"Os benefícios superam os riscos. A covid está deixando muitas sequelas, a possibilidade de um evento adverso pós-vacina é muito menor do que o risco de contrair a doença e ela evoluir de forma não esperada", afirma Lorena Diniz.

Além disso, baixas coberturas vacinais possibilitam a manutenção da circulação do vírus, o que permite a formação de novas cepas que podem gerar outros picos de infecção e mortes, como vimos com a ômicron.

É relaxante, mas será que banho muito quente faz mal? De que maneira?


No inverno, nos dias frios ou até mesmo depois de um dia exaustivo, poucas coisas são melhores que um bom banho quente, não é mesmo? Mas é preciso ter alguns cuidados e estabelecer limites.

Quando a água está muito quente, ela acaba trazendo consequências negativas para a pele, para os cabelos e até mesmo para o funcionamento interno do corpo. A temperatura média do corpo humano está em torno de 36ºC e 37ºC, quando somos expostos a temperaturas muito altas, essa temperatura é alterada e elevada.

Isso pode até mesmo impactar na pressão sanguínea. O aumento de pressão decorrida do calor altera o fluxo sanguíneo pelas veias e a circulação de oxigênio, causando tontura, falta de ar, dor de cabeça, entre outros sintomas.

Além disso, A pele resseca com a alta temperatura, podendo até mesmo desenvolver dermatites [inflamações cutâneas]. Qualquer doença de pele pode ser agravada por um banho muito quente. Nos cabelos, a oleosidade aumenta, predispondo à caspa.

Quais os malefícios para o cabelo?
Os problemas mais comuns são o aumento da oleosidade, a caspa e a queda. Os banhos muito quentes podem deixar seu cabelo sem brilho, opaco, fraco e quebradiço.

A melhor temperatura para os fios é sempre a água gelada, no máximo morna.

Quais os malefícios para a pele?
A pele é muito afetada pela alta temperatura do banho. A epiderme, parte superficial da pele, possui uma camada protetora que é "removida" quando entra em contato com a água muito quente. Sem essa proteção, a pele fica exposta.

A água muito quente ainda remove os óleos naturais da pele, dilata os poros e favorece a liberação de glândulas sebáceas, causando coceiras e favorecendo o surgimento de de acnes.

Outra coisa que pouca gente sabe é que, quando tomamos banho muito quente, o sangue que trabalhava na digestão precisa ser deslocado para a pele, afim de protegê-la; fazendo assim com que o processo digestivo fique prejudicado.

Qual a temperatura ideal para o banho?
Os especialistas em saúde afirmam que o banho morno é a melhor opção em qualquer estação do ano. Com a temperatura da água em torno de 37ºC, que se assemelha a nossa temperatura corporal. Mesmo assim, ele não deve durar mais do que 10 minutos —melhor ainda se for 5 minutos— para não ressecar a pele e economizar água.

Mas, o banho acima de 38ºC, tomado de forma moderada, também pode trazer benefícios como:

Relaxar os músculos: A temperatura quente do banho provoca vasodilatação. Ao ser ativada a circulação, chega mais oxigênio aos músculos, o que facilita o alívio de dores e tensão.

Combater o estresse: A parte emocional também pode ser beneficiada com um bom banho quente, já que ele auxilia na diminuição da ansiedade e do estresse.

Diminuir a obstrução nasal: Se você estiver com nariz entupido, o que é bastante comum em casos de rinite, sinusite, gripe ou resfriado, um banho quente pode ajudar, já que o ar quente e úmido, ao ser inalado, auxilia a abrir as cavidades nasais.

Eliminar células mortas: Não à toa um dos procedimentos da limpeza de pele é direcionar vapor para a área a ser tratada. O calor estimula a abertura dos poros e eliminação de células mortas.

Quando a vacina contra a varíola dos macacos deve estar disponível no Brasil?


A vacinação contra o vírus monkeypox, o causador da doença conhecida popularmente como varíola dos macacos, já está acontecendo em alguns países do Hemisfério Norte, como Reino Unido e Espanha.

Por ora, não existe nenhuma previsão certeira de quando as primeiras doses devem chegar ao Brasil — o Ministério da Saúde diz que mantém conversas com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), para adquirir o imunizante.

Existe uma expectativa de que o decreto de emergência de saúde pública de importância internacional, feito pela OMS em 23 de julho, possa agilizar as negociações ou os processos regulatórios e garantir a proteção a alguns grupos específicos.

Entenda a seguir que vacinas são utilizadas, quem são os primeiros a tomar as doses e como autoridades nacionais e internacionais estão trabalhando para ampliar a oferta do imunizante contra o monkeypox.

A virologista Clarissa Damaso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que os patógenos deste grupo (os orthopoxvirus) costumam conferir uma espécie de "proteção cruzada" — se você se infecta com um deles, o sistema imune gera uma resposta capaz de bloquear a invasão dos demais.

"Algumas cepas do vaccinia são pouco virulentas, o que as torna um alvo frequente de estudos para novas vacinas", diz a especialista.

O imunizante da Bavarian Nordic, que começou a ser utilizado há pouco para conter o monkeypox em algumas partes do mundo, se vale justamente dessa estratégia: ela traz o vírus vaccinia atenuado (mais "fraquinho"), que vai promover justamente essa imunidade cruzada.

Que vacina é essa?
Há cerca de uma década, a farmacêutica dinamarquesa Bavarian Nordic desenvolveu um imunizante a partir do vírus vaccinia, que pertence à mesma família do smallpox (o causador da varíola humana) e do monkeypox.

Nos Estados Unidos, ela é conhecida como Jynneos. Já na Europa, o nome deste produto é Imvanex.

"Trata-se de um vírus tão atenuado que ele nem consegue se replicar nas células humanas. Mesmo assim, ele gera uma resposta imune que protege contra o monkeypox", explica Damaso.

A Jynneos/Imvanex é aplicada num esquema de duas doses, com um intervalo de quatro semanas entre a primeira e a segunda.

Algumas autoridades locais estão optando por dar apenas uma dose por pessoa, dada a escassez desse imunizante no momento atual.

A própria Bavarian Nordic está ampliando sua capacidade produtiva e, segundo uma reportagem da agência de notícias financeiras Bloomberg no Reino Unido, está considerando iniciar uma operação emergencial, mantendo a fabricação por 24 horas ao dia, para atender o aumento da demanda por doses.

Além desta vacina, os Estados Unidos possuem uma segunda opção disponível, conhecida como ACAM2000. Ela, porém, não pode ser utilizada em alguns grupos com problemas no sistema imunológico.

Além desses dois recursos, há estudos demonstrando que pessoas vacinadas contra a varíola humana, causada pelo vírus smallpox, também estão mais protegidas do monkeypox.

Como o smallpox foi erradicado e não circula mais pelo mundo, a produção desses imunizantes em específico foi completamente paralisada e a campanha de vacinação não acontece desde o início dos anos 1980.

Mesmo assim, pessoas com mais de 40 anos que tomaram as doses contra a varíola humana durante a infância parecem manter um bom nível de proteção agora.