Com um programa que propõe extinguir o Senado, revogar o que chama de reformas neoliberais e combater as "investidas imperialistas da Otan, OEA e Cúpula das Américas", o economista e poeta Edmilson Silva Costa (PCB), 76, concorre à Presidência pela primeira vez.
Nascido
em Pedreiras (MA), começou na militância aos 17 anos, foi preso pela ditadura
militar em 1974, e se mudou para São Paulo, onde atuou como jornalista. Foi
candidato a prefeito de São Paulo em 2008 e a vice-presidente em 2010, na chapa
de Ivan Pinheiro, sem sucesso nas duas ocasiões.
O
fato de que, em 2022, a chapa do partido teve 0,04% dos votos válidos não é um
problema para o candidato, que tem como vice a professora aposentada da UFRJ
(Universidade Federal do Rio de Janeiro) Cleusa Santos. Considera que a eleição
é também um instrumento de disputa política.
"É
importante que as pessoas saibam que existe uma candidatura diferente das
tradicionais", diz. "É muito difícil fazer uma disputa onde você não
tem o rádio, não tem a televisão, não tem o poder econômico, mas, se você ficar
de braços cruzados, dificilmente tem a possibilidade de mudanças. Nossa
candidatura tem esse papel de colocar na disputa política um conjunto de temas,
independentemente do resultado".
É
também essa a razão de o PCB recusar, pela sexta eleição seguida, aliança com o
PT no primeiro turno. Para Edmilson, o PT promove "políticas de
compensação social" —Bolsa Família, Fies, ProUni—, sem alterar a economia
do país. O PCB defende estatizar o sistema financeiro, retomar ao patrimônio
público empresas privatizadas e suspender o pagamento da dívida pública.
Aponta
como principal erro do governo Lula o não cumprimento de promessas de campanha,
como a revisão das reformas trabalhista e previdenciária, e a manutenção do
arcabouço fiscal. Como acerto, cita a postura do governo diante de pressões do
governo americano de Donald Trump.
"A
extrema direita e o bolsonarismo no Brasil são uma espécie de quinta coluna do
sistema imperial liderado pelo Trump", afirma.
O
programa do partido defende solidariedade a Cuba, Venezuela e Irã. O candidato
nega que Cuba tenha problemas de direitos civis apontados por críticos,
atribuindo-os ao embargo americano à ilha. Sobre a Venezuela, reconhece que o
país "não fez as reformas profundas que Cuba fez", mas defende
solidariedade contra o que chama de tentativa americana de tomar os recursos
naturais venezuelanos.
O
programa propõe ainda extinguir o Senado, substituí-lo por Parlamento
unicameral e instituir mandatos revogáveis por referendo popular. Questionado
sobre como viabilizar isso sem maioria no Congresso, aposta na mobilização
popular como contrapeso, citando os "caras-pintadas" no impeachment
de Fernando Collor, em 1992.
"Mesmo
no caso em que tenha minoria, tem que contrabalançar isso com a mobilização
popular. O Collor tinha todo o Parlamento à sua disposição, mas com as
manifestações dos cara-pintadas nas ruas, aos milhões, eles fizeram o Congresso
votar o impeachment", argumenta.
Secretário-geral
do PCB, Edmilson é doutor em economia, área em que lecionou por cerca de 25
anos, e dirige hoje a área de pesquisa do Instituto Caio Prado Júnior, ligado
ao PCB. Vive com uma companheira, tem dois filhos e três netos. À Justiça
Eleitoral declarou um patrimônio de R$ 454.485,68, do qual a maior parte, R$
350 mil, é metade de um apartamento.
No tempo livre, escreve poesia: soma cinco livros publicados e um sexto pronto, represado até depois da eleição. Também compõe música, com cerca de 60 canções em parceria com outros músicos, afirma. Aos 76 anos, diz caminhar 8 km todos os dias e fazer pilates duas vezes por semana. "Para aguentar essa pauleira”.
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