É necessário que mulheres intrépidas, proativas e inteligentes, sejam eleitas para que tenhamos uma Bahia maior e melhor; mais humanizada e próspera: a pré-candidata a deputada estadual Sílvia Rodrigues é uma dessas oportunas e sábias alternativas!
Não são poucas as razões apontadas para a grande diferença entre o número de mulheres em nossa sociedade e o número de mulheres que ocupam cargos eletivos, mas não é incomum ouvirmos que “mulher não vota em mulher”. Será que, se todas votassem em mulheres, esse quadro seria automaticamente revertido?
Em 2022 identificamos um resultado interessante. Foi uma mulher (Ivana Bastos-PSD) a candidata mais bem votada na Bahia. Na eleição municipal de 2024, Wilmaci foi eleita vereadora com maior votação entre todos seus correligionários do PCdoB de Itabuna. Nestes casos, as mulheres eleitas tiveram votação expressiva, a favorecer a eleição de outros candidatos de suas siglas. É dizer, essas mulheres atuaram como “puxadoras de votos” em seus respectivos partidos, sendo capazes de favores, para além da sua própria eleição, a eleição de outros candidatos com sua votação nominal.
Considerando o nosso sistema eleitoral, suas especificidades e os arranjos institucionais vigentes, mesmo quando a mulher tem votação expressiva e se torna “puxadora de votos” em seu partido, ela favorece ou beneficia candidatos homens.
O resultado é esperado uma vez que em regra as listas de candidatos apresentados por Partidos e Federações cumprem mínimo legal, de forma que possuem, de um modo geral apenas 30% de mulheres. O excessivo número de candidaturas apresentadas por cada Partido/Federação, o baixo percentual de mulheres nessas listas, e o fato de que grande parte dessas candidaturas são basicamente inviáveis (por falta de financiamento, candidatos desconhecidos, quantidade de candidatos que torna impossível que o eleitor se informe sobre todos – ou mesmo tenha conhecimento da existência da maioria) prejudica a viabilidade das candidaturas de mulheres, de um modo geral.
Desse modo, pode-se identificar que campanhas em prol do voto em mulheres podem acabar beneficiando poucas mulheres, com pouco impacto no resultado global. O que se percebe é que não importa que haja um movimento em prol da eleição de mulheres, quando a intercessão dos demais elementos do nosso sistema eleitoral lhes é prejudicial.
Desse modo, para além de se tratar de uma alegação simplória, dizer apenas que as mulheres não estão em maior número na política porque não votam em mulheres desconsidera elementos básicos que envolvem a candidatura das mulheres em nosso país. Já que, na prática, a cota de gênero acaba representando o máximo de candidaturas femininas que os partidos e federações apresentam, e, entre essas candidaturas, muitas são realizadas com a finalidade de cumprir formalmente a regra, são poucas as reais candidaturas de mulheres.
Ainda que consideremos, hipoteticamente, que todos os partidos/federações respeitem a norma e efetivamente apresentem candidatas mulheres dentre o mínimo exigido (30%, e sem candidatas laranjas), estamos diante de uma grande desproporção. Veja-se, serão 70% de candidaturas masculinas e 30% de candidaturas femininas. Essas candidatas não recebem, de um modo geral, apoio de seu partido, e concorrem por sua conta e risco sem financiamento de campanha adequado e sem dividir com os homens, nem mesmo de forma minimamente proporcional, o tempo de propaganda eleitoral gratuita.
Essas mulheres, em sua maioria, irão compor a cauda eleitoral, ficando nas últimas posições na eleição por terem sido absolutamente invisibilizadas por seus partidos. Esses partidos, de mais a mais, apresentam uma elevada quantidade de candidatos (ainda que permitida por lei), que dificulta ou mesmo inviabiliza que o eleitorado conheça minimamente esses candidatos, sobretudo, essas candidatas.
Desse modo, o que acaba acontecendo (e vimos esse efeito nas eleições de 2022), é a campanha em prol do voto em mulheres repercutir favoravelmente em torno de uma ou poucas candidatas, que conseguem se eleger, mas que, em sendo “puxadoras de votos”, trazem consigo outros homens.
Além disso, já que os partidos têm autonomia para decidir quem serão os candidatos, se eles escolhem para concorrer às eleições para os cargos majoritários apenas candidatos homens, como o fazem no mais das vezes, como as mulheres poderiam votar em mulheres? Não é comum ver chapas majoritárias compostas exclusivamente por candidatas mulheres, como o é com relação aos candidatos homens.
É essencial que se entenda que com isso não se pretende dizer que campanhas pelo voto em mulheres sejam ruins ou desnecessárias. Elas são imprescindíveis, mesmo para dar visibilidade a essas candidatas. Todavia, não são suficientes, nem podem ser o único mote de ação. Isso acaba, por vezes, sendo utilizado como justificativa para a baixa representação, quando o que vemos é que mesmo quando as mulheres votam em mulheres, isso não repercute, necessariamente, em um implemento da representação feminina nas mesmas proporções.
Portanto, rever as ações afirmativas adotadas atualmente, analisando-as conjuntamente com os arranjos institucionais que compõem o nosso sistema eleitoral, é essencial para compreender e propor medidas mais efetivas, que impliquem, de fato, no aumento das chances de sucesso dessas candidatas, e não as culpabilize pela ineficiência da política pública.
Nenhum comentário:
Postar um comentário