No xadrez da política brasileira, derrotas costumam ensinar lições. Mas, em Brasília, nem sempre perder significa recuar. Às vezes, significa dobrar a aposta. E é exatamente esse o cenário que parece se desenhar após a rejeição inédita do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo informações divulgadas nos bastidores do poder, o
presidente Lula pretende insistir e reenviar ao Senado a indicação do atual
advogado-geral da União. O movimento, porém, levanta uma questão inevitável:
trata-se de convicção política, teimosia presidencial, arrogância institucional
ou um gesto de enfrentamento direto ao Senado?
A Constituição concede ao presidente da República a prerrogativa
de indicar ministros do STF. Isso é fato. Mas também estabelece, como
contrapeso democrático, que cabe ao Senado analisar e aprovar ou rejeitar a
escolha. É justamente nesse equilíbrio entre os Poderes que reside a essência
republicana.
Quando uma indicação é rejeitada - ainda mais de forma inédita e
politicamente ruidosa - o gesto do Senado deixa de ser apenas uma votação
técnica. Passa a ser também um recado político. E ignorar recados políticos em
Brasília costuma custar caro.
Nos bastidores do Planalto, a narrativa predominante é de que Lula
não teria interpretado a derrota como um revés de Jorge Messias, mas como uma
afronta ao próprio governo e ao poder presidencial. A avaliação é que o presidente
do Senado, Davi Alcolumbre, teria atuado silenciosamente para minar a indicação
- algo que ele nega publicamente.
Mas a grande pergunta talvez seja outra: insistir no mesmo nome fortalece a autoridade presidencial ou amplia a crise institucional?
Nenhum comentário:
Postar um comentário