O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu manter a deliberação da CPI (Comissão Parlamentar do Inquérito) mista do INSS que autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal de um dos filhos do presidente Lula (PT), Fábio Luís, conhecido no mundo político como Lulinha.
"Esse não é um caso de
flagrante desrespeito ao regimento ou à Constituição. Não há aqui situação que
justifique a excepcional atuação desta presidência para anular a deliberação da
CPI", disse Alcolumbre, ao anunciar que não iria intervir para mudar o
resultado.
A votação, que ocorreu na
quinta-feira (26), foi seguida de bate-boca e agressões. A quebra de sigilo foi
autorizada pela CPI, mas membros governistas questionaram a votação e o
resultado proclamado pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana
(Podemos-MG). Eles apresentaram a Alcolumbre um recurso por escrito pedindo a
anulação da votação por fraude.
A votação foi feita de maneira
simbólica, ou seja, sem votação nominal de cada parlamentar. Na votação simbólica,
aqueles que são favoráveis se mantêm sentados e os contrários se levantam. Para
os integrantes da CPI aliados de Lula, o resultado da votação havia sido de 14
votos contra a quebra do sigilo e 7 a favor, de um quórum de 21 participantes.
Viana, no entanto, contou 7 votos
a favor. E, mesmo quando admitiu que poderiam ser 14, disse que, para formar
maioria, eram necessários 16, já que o painel de presença registrava 31
parlamentares.
"Esse número de votos
voluntários [14] não seria suficiente para a configuração da maioria. Isso
porque o quórum de presença no momento, registrado pela Advocacia e pela
Secretaria-Geral da Mesa, mostrado no painel e verificado na votação anterior,
era de 31 parlamentares. A maioria com esse quórum, portanto, equivale a 16
parlamentares", disse Alcolumbre.
"Ainda que se considere que o
presidente da CPI se equivocou na contagem daqueles que se levantaram, o número
de votantes contrários demonstrado pelos autores não seria suficiente para
ganhar a deliberação", continuou o presidente, admitindo que pode ter
havido erro na contagem.
"Esta presidência conclui que
a suposta violação das normas regimentais e constitucionais pelo presidente da
CPI do INSS não se mostra evidente e inequívoca, razão pela qual, em respeito
aos precedentes todos da Casa, não se faz necessário, no presente momento, uma
intervenção da presidência da Mesa do Congresso Nacional", concluiu.
Lulinha é alvo da CPI pelo suposto
envolvimento com o lobista Antônio Camilo, conhecido como Careca do INSS, acusado
de ter facilitado os descontos indevidos nas aposentadorias de beneficiários do
INSS. O lobista teria ordenado um pagamento de R$ 300 mil a uma empresária que
é ligada ao filho do presidente.
A defesa de Lulinha afirma que ele
não teve nenhuma participação nas fraudes do INSS e não cometeu nenhum crime. A
celeuma na CPI envolve diferentes interpretações do regimento do Congresso, com
divergências a respeito de quantidade de votos, quórum (quantidade mínima
necessária de presentes) e método de votação.
A sessão tinha 87 requerimentos em
pauta, incluindo o de Lulinha. Antes da análise do mérito, os parlamentares
decidiram por volta das 11h, em votação nominal, que os pedidos seriam
apreciados em bloco. O painel registrou 31 presentes, incluindo o presidente.
Nessa votação, participaram os titulares e também suplentes, quando o titular
estava ausente.
Na sequência, por volta das 11h30,
o presidente da CPI, o senador Carlos Viana, anunciou votação simbólica para
aprovar os requerimentos (que incluíam pedidos de informação, de quebras de
sigilo e de convocações de uma série de pessoas). Nesse modelo, quem concorda
permanece sentado e quem discorda se manifesta. Ele declarou haver sete votos
contrários e proclamou a aprovação.
Deputados aliados ao governo Lula
contestaram a contagem e afirmam que 14 parlamentares estavam de pé. A
reportagem identificou ao menos 12 na transmissão da TV Senado. Essa é a
primeira divergência entre os dois lados.
A segunda divergência diz respeito
ao quórum. Os governistas afirmam que havia 21 parlamentares no momento da
votação, portanto o resultado teria sido de 14 votos contrários a 7 favoráveis.
Mas Viana considera 31 presentes, como foi registrado pelo painel na votação
anterior. Se Viana estiver certo, eram necessários 16 votos — e não 14 — para
formar maioria e, portanto, os governistas perderam.
Nesse ponto, os 14 parlamentares que votaram "não" dizem, no recurso apresentado a Alcolumbre, que não faz sentido considerar que havia 31 presentes, pois esse número diz respeito à votação nominal anterior, que teve a participação de suplentes, enquanto a segunda votação foi simbólica, em que se consideram apenas os presentes naquele instante e votam apenas titulares. Por Carolina Linhares/Constança Rezende.
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