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Câmara de Ilhéus - Acompanha sessões remotas

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sexta-feira, 20 de maio de 2022

Plataforma gratuita apoia desenvolvimento socioemocional de professores

Entre os muitos desafios a serem enfrentados pelos professores e professoras, aqueles relacionados aos aspectos socioemocionais representam uma parcela significativa. Isso é demonstrado a cada nova matéria que fazemos a respeito de acolhimento na escola ou sobre gestão escolar.

O Instituto Ayrton Senna lançou recentemente uma plataforma para quem busca recursos sobre a questão socioemocional dos professores: a “Humane”, espaço voltado para compartilhar experiências dentro e fora da sala de aula. 

O objetivo, de acordo com o Instituto, é oferecer aos educadores um espaço para aprender, ensinar, compartilhar e cocriar experiências de desenvolvimento para fortalecer práticas, carreiras e, consequentemente, a educação brasileira. 

Como primeira ação, a plataforma liberou dois cursos. O primeiro deles, chamado de “Socioemocional de professores”, sugere uma perspectiva integral do assunto. A jornada de desenvolvimento inclui um instrumento avaliativo, para que o professor sistematize quais aspectos deseja trabalhar, além de trilhas formativas que trabalham macrocompetências como autorregulação das emoções, conexões com o outro e inventividade, por exemplo. Há, também, um espaço chamado “Diário de Bordo”, no qual é possível compartilhar pensamentos, ideias e objetivos. 

Em um segundo curso liberado nesta primeira fase,”Alfabetização 360“, há uma Biblioteca de Alfabetização. Nela, há ferramentas para o processo da aprendizagem inicial da leitura e escrita, sem perder de vista as competências socioemocionais e o conceito de educação integral. 

Há, também, um trecho dedicado à implementação do conceito na escola. Esta área traz avaliações diagnósticas e trilhas de gestão da aprendizagem com foco em alfabetização inicial e desenvolvimento socioemocional. 

Educação financeira nas escolas impacta alunos, professores e famílias


O número de brasileiros endividados no país bateu recorde histórico em abril de 2021. Segundo um estudo da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), 46% da população teve a renda reduzida no ano passado. A crise econômica traz o alerta para a educação financeira. Tanto que, dia após dia, tem se multiplicado o número de plataformas e canais no YouTube, por exemplo, dedicados ao assunto. Esses ensinamentos, entretanto, não precisam acontecer apenas na vida adulta – podem começar desde a educação básica.

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o estudo de conceitos básicos de economia e finanças é um dos aspectos das aulas de matemática para o ensino fundamental. Nesse contexto, algumas possibilidades envolvem discussões sobre taxas de juros, inflação, aplicações financeiras e impostos, o que também pode acontecer de forma interdisciplinar, envolvendo debates sobre as dimensões culturais, sociais, políticas, psicológicas e econômicas a respeito da relação entre consumo, trabalho e dinheiro.

Esse debate é, inclusive, a proposta do Programa Nacional de Educação Financeira nas Escolas, uma parceria entre o Ministério da Educação (MEC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criada com o objetivo de incentivar o tema entre crianças e jovens de todo o Brasil. Lançada recentemente, a iniciativa visa capacitar mais de 500 mil professores ao longo de três anos, para que possam alcançar mais de 25 milhões de estudantes da educação básica.

A ideia é que professores do ensino fundamental e médio possam realizar cursos em uma plataforma online e trabalhar esses conhecimentos com suas turmas, incentivando uma cultura de planejamento, prevenção, poupança, investimento e consumo consciente.
Uma das formações tem como público prioritário professores do 9º ano. O curso aborda cinco grandes temáticas: finanças pessoais, matemática financeira, atitudes empreendedoras, desenvolvimento de técnicas comportamentais e projetos de vida.

O contexto recente da pandemia de Covid-19, que impactou as finanças de inúmeras famílias pelo Brasil, bem como a frequência e engajamento de crianças e jovens com os estudos e o baixo grau de educação financeira apontado por diversas pesquisas foram alguns dos motivadores para a criação da iniciativa.

Na ocasião, representantes do governo comentaram a importância da educação financeira desde cedo para o desenvolvimento de cidadãos com mais liberdade, autoestima e bem-estar. “Em nosso país, muito se fala em dinheiro, ou melhor, na falta dele, e pouca orientação educativa sobre finanças é dada pelos mais diversos segmentos da sociedade, o que acaba limitando as oportunidades dos indivíduos prosperarem. Poupar é fundamental para atingir objetivos mais audaciosos. É preciso inserir logo, de maneira lúdica, os conceitos básicos de educação financeira na realidade das crianças, para que no futuro tenham a facilidade de lidar com situações reais”, comentou Mauro Rabelo, secretário de educação básica do MEC.

Crianças aprendem, todos aprendem 

Outra iniciativa que visa levar mais conhecimentos sobre finanças para crianças e jovens é o Aprender Valor, do Banco Central do Brasil (BC). Destinado a escolas e redes municipais e estaduais de educação, especificamente ao ensino fundamental, o programa propõe projetos escolares que integrem a educação financeira a diferentes componentes curriculares, a partir de sequências didáticas com atividades sobre planejamento do uso de recursos, poupança, entre outras.

O programa se conecta diretamente à cidadania financeira, um dos seis objetivos estratégicos do Banco Central, além de estar alinhado à educação financeira, um dos pilares da Agenda BC. “Desde 2003, o BC vem atuando na promoção e disseminação de conteúdos para a educação financeira de jovens e adultos a partir de cursos, vídeos, cartilhas e outras publicações no Portal Cidadania Financeira”, explica Ronaldo Vieira da Silva, chefe adjunto do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do BC.



quinta-feira, 19 de maio de 2022

Disseminação da Língua Brasileira de Sinais ainda é um desafio, diz especialista


A lei que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) completou 20 anos neste mês ainda com muitos desafios para ser propagada pelo país. Esta é a avaliação da especialista em Implante Coclear e Prótese Auditiva Ancorada ao Osso, Sabrina Figueiredo.

Em entrevista à CNN Rádio, no CNN no Plural, ela reforçou que “hoje em dia a gente vê várias políticas avançando, mas ainda há muitos desafios.”

A fonoaudióloga exemplificou: “Imagine precisar ir ao cinema ou mercado, mas não ter ninguém que te entenda. A disseminação da Libras ainda é um desafio. No Brasil, faltam pessoas com fluência nessa língua para atender a todos que precisam.”A importância disso, segundo ela, “é enorme”: “No âmbito de trabalho, para dar mais oportunidades, no âmbito social, para acesso à cultura e ao lazer, e mesmo na saúde, com profissionais que às vezes vão atender e não têm essa fluência.”

“Quebrar essa barreira é um desafio e devemos estar disponíveis para isso”, afirmou.

Sabrina Figueiredo explica que a população deficiente auditiva é plural, com diferentes graus de perdas e, consequentemente, com necessidades diferentes. “Como profissional de saúde a gente faz uma avaliação criteriosa para entender o que cada um precisa, Libras é muito importante para quem não se comunica com português oral.”

Ao mesmo tempo, ela admite que isso dificulta a criação de políticas públicas para “atender a todos da forma adequada, é uma área complexa para trabalhar e tem de se haver cuidado.”

Variação da Libras

Há diferentes formas da Libras, mesmo dentro do Brasil. Sabrina contou que o sinal para a palavra faculdade, por exemplo, é diferente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

“Entre as cidades, há variações, que seriam o ‘sotaque’, assim como palavras que usam no Sudeste e no Nordeste, que são diferentes.”

Da mesma forma, se uma pessoa com deficiência auditiva tiver que viajar para fora do país, “vai ser exatamente como alguém que fala português e viaja para a Rússia.”

“A língua de sinais de cada país tem uma base diferente dependendo de como foi fundada, aqui a inspiração foi francesa.”

A especialista defende que as pessoas busquem cursos, muitas vezes gratuitos e até aplicativos, para aprender Libras. “Cada lugar que uma pessoa se dispor a ter acesso à língua de sinais, abre porta para um grupo de pessoas que provavelmente não estaria ali”.




Eleitores brasileiros veem educação como saída para desemprego, diz pesquisa

Uma pesquisa da organização Todos Pela Educação mostrou que boa parte dos eleitores veem educação como saída para o desemprego.

À CNN, Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo da organização, disse que essa seja a principal mensagem da pesquisa.

“Uma parcela significativa enxergar muita relação entre a melhoria da qualidade da educação e o impacto em outras áreas da sociedade. Em primeiro lugar, a relação e desemprego”, afirmou.

Nogueira Filho destacou ainda que, o levantamento mostrou que a população eleitoral também associa boa educação a outras áreas, como renda, violência e redução da corrupção.

Cerca de 49% citaram a redução do número de desempregados, 40% acham que isso reduzirá a violência e 33% avaliam que trará melhoria da renda dos brasileiros.

A pesquisa mostrou que 59% dos entrevistados classificam como “muito importante” o tema Educação as propostas dos candidatos na hora de votar; 15% disseram ser “pouco importante”, enquanto para 17% o tema será indiferente nas suas escolhas em outubro.

Para Nogueira Filho, o que o eleitorado está passando é: “ainda que a educação não vá resolver todos os problemas brasileiros, sem uma educação de qualidade a gente vai ter um país mais desenvolvido, próspero e justo”, afirmou.

O diretor-executivo da ONG Todos Pela Educação destacou também que a educação está avançando no país.

“É importante a gente entender que não é um cenário de terra arrasada. A educação brasileira avançou muito, mas o fato é que a pandemia trouxe um impacto enorme. Desafios que já existiam foram amplificados. Mas a boa notícia é que educação está na pauta da população brasileira”, disse.



Câmara aprova projeto que regulamenta o ensino domiciliar; texto segue para o Senado



O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (18), o projeto de lei que regulamenta a prática da educação básica domiciliar, conhecida como homeschooling, no país.
Todas as nove sugestões de mudanças ao texto-base foram rejeitadas pelos deputados federais nesta quinta-feira (19).
Mesmo faltando só destaques, a oposição tentou obstruir a votação seguindo o regimento interno da Câmara, mas não houve sucesso.
Até mesmo o presidente da Câmara, Arthur Lira, na condução da sessão, ameaçou encerrar a sessão caso não houvesse o quórum mínimo de 257 parlamentares para dar andamento nas votações do dia.
Lira ainda disse que a sessão teria efeito administrativo, caso líderes de bancadas e os deputados não comparecessem ao plenário. Esse efeito significa que quem estiver ausente na sessão do plenário neste dia terá desconto de ponto.

“Eu preciso avisar aos deputados que se nenhum dos líderes registrar presença a sessão vai cair. A partir da próxima semana, no que diz respeito ao plenário nas quintas-feiras, todas as quintas terão efeito administrativo para os deputados. Não ficará impune”, completou Lira.

O projeto aprovado pelos deputados federais altera a lei que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional para prever a admissão da educação domiciliar, além da escolar.

Segundo o projeto, a educação básica domiciliar passa a ser admitida por livre escolha e sob a responsabilidade dos pais ou responsáveis legais pelos estudantes. A educação básica compreende os ensinos infantil, fundamental e médio.

O estudante deve ser matriculado anualmente e ter a opção pelo ensino domiciliar formalizada, pelos pais ou responsáveis, junto a uma instituição de ensino credenciada pelo órgão competente do sistema de ensino que ofereça a modalidade.

Já a instituição de ensino escolhida deve manter um cadastro dos estudantes em homeschooling nela matriculados, que deve ser atualizado e informado todo ano aos órgãos competentes.

No momento da formalização pelo homeschooling é preciso que seja apresentada comprovação de escolaridade de nível superior ou em educação profissional tecnológica, em curso reconhecido, por pelo menos um dos pais ou responsáveis legais pelo estudante ou por preceptor. Também é exigida a apresentação de certidões criminais da Justiça Federal e Estadual ou Distrital dos pais ou responsáveis.

Os conteúdos curriculares referentes ao ano escolar do estudante devem ser cumpridos de acordo com a Base Nacional Comum Curricular. Será admitida a inclusão de conteúdos curriculares adicionais pertinentes.

O Conselho Nacional de Educação ficará responsável por editar as diretrizes nacionais. Os sistemas de ensino deverão adotar as providências para assegurar e viabilizar o direito de opção dos pais ou responsáveis legais do aluno pelo homeschooling e sua aplicação prática.



Há dificuldades para aplicar a lei que criminaliza a LGBTfobia, diz especialista


Desde junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou os crimes que tiveram como motivação a LGBTfobia aos crimes raciais, aplicando as mesmas penas.

A decisão é “importante e emblemática”, na avaliação da presidente da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-SP, Heloisa Alves, em entrevista à CNN, no CNN no Plural. No entanto, ela ressaltou que nenhuma lei especificamente sobre crimes cometidos contra pessoas LGBT que tramita no Congresso Nacional foi aprovada desde então.

“Pelo menos a equiparação com a lei do racismo dá um alento a quem é vítima, se houver comprovação, claro, há possibilidade de condenação de quem cometeu o crime”, completou.

Heloisa Alves diz acreditar que houve avanços, mas fez uma ressalva: “A sociedade discute de forma mais clara essa questão, boa parcela não admite mais essa situação, mas não podemos fugir de que temos uma sociedade muita conservadora”.

Uma das dificuldades, de acordo com a especialista, está na educação básica: “Se começa desde cedo a ensinar sobre respeito às diferenças, de que há outras orientações sexuais e identidade de gênero, forma cultura de respeito às diferenças, e sociedade mais igualitária”.

“Não conseguimos debater esse assunto por razões conservadoras, não é uma escolha se tornar gay, não é uma opção, como erroneamente muitas vezes se fala”, completou.

Da mesma forma, é necessário “sensibilizar e capacitar autoridades para investigar os casos e ver se houve motivação de homofobia ou transfobia, no crime, é preciso que as informações cheguem nas academias de polícia, para orientá-los”.

“Sem passar na delegacia, não chega na Justiça, tem trabalho do Ministério Público que vai denunciar ou não, mas o grande desafio desde 2019 é cumprir a decisão [que criminalizou a LGBTfobia, que a Secretaria de Segurança Pública efetivamente faça com que sejam cumpridas as regras, para que chegue no Judiciário, ainda temos sentido dificuldade para envolver todo o sistema de Justiça”, defendeu.