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Câmara de Ilhéus - Acompanha sessões remotas

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quarta-feira, 4 de maio de 2022

Lições para promover uma revolução na educação pública brasileira.

Alunos da Escola Professora Maria das Graças Teixeira Pontes, em Sobral (Ceará).AYUNTAMIENTO SOBRAL.

Erivalda Santana Gabriel, de 53 anos, estudou só até o segundo ano do primário, mas não precisa saber ler relatórios detalhados, cheios de percentagens e gráficos coloridos, para saber o quanto a educação melhorou em Sobral, no Ceará. A escola pública onde estuda seu filho Adleyn, de 13 anos, guarda pouca semelhança com a que ela própria frequentou, ou mesmo com a que sua filha mais velha, Alana María, de 31, conheceu há duas décadas. “Ah, melhorou muito, a merenda é boa, as coordenadoras [pedagógicas] são gente boa, e o diretor…. É maravilhoso!”, exclama Santana, pouco antes de começar seu expediente como faxineira em um hotel.
O entusiasmo dela com o diretor se deve a um gesto simples, mas poderoso: “Quando um aluno falta, ele manda um WhatsApp perguntando que por que não foi à aula e para lembrar que, se estiver doente, precisa levar atestado”. Após três dias de ausência, uma assistente social bate na porta de casa. O absentismo é um dos muitos males que afligem a escola pública no Brasil.
O interessante nesta cidade industrial de 200.000 habitantes, onde sobra sol e durante décadas escassearam as oportunidades, é que alunos, professores, políticos e famílias protagonizaram uma revolução educacional que outros municípios analisam com admiração. Enterraram a ideia de que há crianças incapazes de aprender. Sobral tem também um lugarzinho na história desde 1919, quando uma expedição científica britânica chegou até aqui para presenciar um eclipse que confirmou a teoria da relatividade de Albert Einstein.
O primeiro grande feito de Sobral foi que, ao terminar o primeiro, com seis ou sete anos, todos os meninos e meninas sabem ler e escrever, independentemente de gênero, raça e origem social. Se em 2001 os alunos analfabetos eram metade do total, em poucos anos esse índice caiu, e hoje é zero. E isso, num Brasil tão desigual, é um triunfo maiúsculo. Em poucos anos, este município que tinha um dos piores resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) se colocou na liderança desse ranking nacional de referência.

Algo tão básico representa uma vitória porque a educação elementar atualmente, de fato, já chegou aos mais remotos grotões do país, incluídas aldeias indígenas na Amazônia, mas sua qualidade deixa muitíssimo a desejar. E a pandemia agravou males que eram endêmicos. Três em cada quatro alunos em idade de serem alfabetizados não conseguem ler nove palavras em um minuto, segundo uma recente pesquisa da Fundação Lemann. Nove palavras em um minuto, esse é o calibre do desafio antes de começar sequer a abordar as graves consequências da desigualdade que atravanca o avanço dos indivíduos negros desde que pisam no colégio.

A pandemia manteve os alunos de Sobral quase um ano longe das salas de aula. Inicialmente, recebiam materiais pelo WhatsApp, ou impresso no caso dos que não tinham celular nem Internet. Depois, os professores desembarcaram no YouTube, mas também saíram em busca de alunos que não voltaram às aulas.

Marta Cristina Pereira viajou nesta semana 700 quilômetros de Pernambuco até Sobral em busca de inspiração e esperança. Secretária de Educação de Serra Talhada (87.000 habitantes), na quinta-feira passada ela compartilhava suas inquietações com vários colegas em uma das sessões da inauguração do Centro Lemann de Liderança para a Equidade na Educação criado pela fundação homônima, à qual este jornal foi convidado. “Ainda não conseguimos romper as barreiras políticas. Minha sensação é de que nadamos, nadamos e morremos na praia. Venho com a esperança de que minha prefeita fique tocada, porque, se não reagir, podemos retroceder o pouco que avançamos”, afirmou.

O objetivo é atrair e formar prefeitos e gestores educacionais para que possam tirar lições da experiência de Sobral e adaptá-las às suas necessidades. Um dos nós que impedem o avanço é a tradição de que os diretores de escola sejam indicados por vereadores em função de interesses políticos. A enraizada troca de favores. Uma medida que neste caso é legal e abre as portas a deixar algo tão decisivo como o futuro de alunos nas mãos de pessoas analfabetas. Por isso, a revolução de Sobral começou com medidas impopulares: demissão dos funcionários que não passaram em provas técnicas, centralização das escolas e fim da nomeação a dedo de diretores e coordenadores pedagógicos.

A fórmula combina vontade política, perseverança, gasto bem feito, incentivos ao magistério, avaliação dos resultados e, em função deles, adaptações às circunstâncias variáveis, explica Veveu Arruda, professor que impulsionou a revolução quando foi prefeito, na década passada. O caminho é longo, mas se pode começar com algo simples, salienta, como dar aula nos 200 dias e 800 horas anuais que o calendário estipula. “Somos o país com menos horas letivas no mundo, e nem sequer são bem contadas”, queixa-se. Mas esse monumental fracasso coletivo tem mais ingredientes: “Tudo é motivo para não ter aula: se chove, se não chove, se é o aniversário do diretor, se morreu alguém….”, enumera, desesperado.
No Brasil, a escola pública tem má qualidade e pior reputação. Tanto é que, quando uma família prospera um pouco, a primeira coisa que costuma fazer é matricular os filhos num colégio privado. E, num reflexo da brutal desigualdade que corrói o país mais rico da América Latina, enquanto o ensino público obrigatório (dos 4 aos 17 anos) é lamentável, as universidades federais são tão boas que a concorrência para entrar é feroz. É o serviço público que os privilegiados mais apreciam.

Como se fosse pouco, a sala de aula amplia as enormes fissuras que esquartejam a sociedade brasileira: “A escola, que deveria reduzir as diferenças, na verdade as potencializa”, explica Anna Penido, diretora da recém-inaugurada instituição, que inclui um ramo de pesquisa e avaliação. Estudos demonstram que alunos negros e pobres até hoje aprendem menos que seus colegas, deixam mais os estudos, e as escolas onde são maioria têm professores com formação pior. Um círculo vicioso. O mantra de Penido é que nenhuma criança fique para trás.

A estratégia de fazer o diretor —ou, se possível, a própria prefeita ou prefeito— telefonar para a casa do aluno faltoso transmite à sua família, com poucas palavras, a noção de que a educação é algo muito importante. Muitos deles sem dúvida teriam desejado poder acabar a escola e sonhar com a universidade.

Também uma prefeitura como a de Mata de São João, município baiano de 47.000 habitantes que acaba de implantar um ambicioso sistema de reconhecimento facial para controlar os alunos, enviou representantes a Sobral atrás de dicas para aprofundar a mudança. “Nosso maior problema é a falta de líderes”, diz o secretário de Educação, Alex Carvalho, aos seus homólogos. O prefeito da Barbalha (Ceará), Guilherme Saraiva, busca esclarecer dúvidas técnicas sobre a transformação e deixa entrever o que considera ser o ingrediente-chave da revolução sobralense: “Acho que tiveram sucesso porque os governos tiveram continuidade”. A cidade brasileira que se orgulha de ser a capital educativa do Brasil é também o berço de um desses clãs familiares que, a partir de cidades e regiões afastadas dos centros de poder, produzem prefeitos, governadores, senadores e até candidatos presidenciais. Neste caso, os Gomes, cujo líder, Ciro Gomes (PDT), ficou terceiro nas eleições vencidas por Jair Bolsonaro em 2018.

Encontrado em: https://brasil.elpais.com/autor/naiara-galarraga-gortazar/#?rel=author_top

Ensino público de educação básica, por que tão falho?


Não apenas os leigos, mas também especialistas, dizem que o ensino público de educação básica no Brasil é bastante falho. Quais as razões? A história da educação no Brasil esclarece muita coisa.

Até o século XIX o Brasil não teve uma política de educação sistemática planejada; foi apenas na Constituinte de 1823 que se iniciaram as discussões sobre políticas de educação pública e a criação de universidades no Brasil.

Em 1834 houve a descentralização das responsabilidades educacionais do governo e as então províncias passaram a legislar sobre a educação primária, mas apenas em meados de 1920 a educação brasileira veio a ser centro de debates. Em 1934 houve mais um momento de avanço na área educacional, inclusive refletindo ideais da Escola Nova ou Escola Ativa, Progressiva, movimento de renovação do ensino trazido ao Brasil pelas mãos de Rui Barbosa.

A Constituição de 1937 representou retrocesso em relação à anterior e somente entre os idos 1946 e 1964 o país voltou a evoluir em relação à legislação educacional. Em 61 foi elaborada a Lei nº 4024, de 20 de dezembro de 1961, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que sistematizou o ensino e definiu seus objetivos e também foi criado o Conselho Federal de Educação, que redigiu o chamado Plano Nacional da Educação.


  Interessante ressaltar que em 1948 foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o direito à educação foi elencado no art.26, mas esse direito somente foi reconhecido na Constituição brasileira de 1988. Antes disso o Estado não tinha a obrigação formal de garantir a educação de qualidade a todos e o ensino público era tratado como assistência.

O período de governo militar (entre os anos 1964 e 1985) foi marcado por grande incentivo à privatização da educação e desvinculação orçamentária da União, com recursos mínimos para a educação pública.

Como apresentamos no texto Breve história da educação e a pandemia como revés sem precedentes, há um senso comum sobre a educação no Brasil ter sido boa no período ditatorial, mas os estudos não corroboram essa tese. Vários especialistas que se dedicaram ao tema apontam que a Ditadura Civil-Militar (1964-1988) “deixou marcas profundas na educação brasileira, entre elas a prática de expandir sem qualificar”.


 Enfim, o conceito de educação como direito só passou a fazer sentido no Brasil a partir de 1988, como um direito fundamental de natureza social que deve ser visto de forma coletiva, como um direito a uma política educacional e a ações afirmativas do Estado que ofereçam à sociedade instrumentos para alcançar seus objetivos.


 Hoje, em termos gerais, a educação pública de qualidade ainda está longe de ser realidade e de fazer parte das prioridades dos gestores públicos. O que presenciamos é a constante descontinuidade das iniciativas educacionais, a superlotação das salas de aula, a deficiência na formação do professor, o descaso com a saúde do aluno e a do professor.

Além disso, o financiamento da educação básica pública não contribui. De acordo com os dados apresentados na pesquisa dos professores Elias Marques, Maria Pelicioni e Isabel Pereira, que atuam na Faculdade de Saúde Pública da USP, para recuperar o atraso do sistema educacional brasileiro seria necessário dobrar o investimento, o que resultaria em uma alteração positiva no indicador de gasto anual por criança em educação, que, de acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD, 2006), é de US$1.009, ainda inferior a outros países latino-americanos.

Falta indignação?

Um grande problema, ainda de acordo com a pesquisa mencionada, é que – desde sempre - terceirizamos nossos eventuais fracassos e responsabilidades, atribuindo-os ao Estado, ao sistema político-econômico, ao diretor, ao professor da escola, ao síndico do prédio ou ao destino. Nos isentamos da obrigação de pensar e agir, da urgência em mudar hábitos e valores e de transformar a nós mesmos e o mundo. E em todos os tempos em que nos negarmos a assumir definitivamente nosso papel diante das necessidades contemporâneas, em especial no que diz respeito ao ensino público de educação básica, perpetuamos a situação.

Existe, sim, uma parte da sociedade civil que ocupa espaços tradicionalmente vinculados ao Estado, como o Amigos da Escola e o Movimento Todos pela Educação: assim o fazem preocupados com os resultados que estão sendo obtidos na educação pública e se organizam para cooperar e reivindicar mudanças.

É comum que os candidatos a cargos eletivos insiram a questão educacional em seus discursos, mas ao fim e ao cabo inexistem planos e propostas efetivas; não existe concepção e implementação de políticas públicas eficientes.

Texto encontrado em: https://www.jacobsconsultoria.com.br/post/ensino-p%C3%BAblico-de-educa%C3%A7%C3%A3o-b%C3%A1sica-por-que-t%C3%A3o-falho

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Por que devemos falar mais sobre a saúde mental das mulheres


Agentes de mudança social, as mulheres são referências dentro de seus núcleos familiares e representam parte fundamental da força de trabalho na educação e na atenção básica à saúde. No tocante a diversas áreas da saúde, elas também são foco de grandes campanhas de prevenção, voltadas principalmente para o câncer de mama, o câncer de colo de útero, as infecções pelo HPV… Mas por que não inserir nesse rol os cuidados com a saúde mental?

Algumas estatísticas refletem a realidade e o sofrimento de grande parte das mulheres. De acordo com a Mental Health Foundation, um estudo realizado em 2016 no Reino Unido evidenciou que uma em cada cinco mulheres de 16 a 25 anos apresentava algum problema psicológico, com relatos de automutilação e casos de suicídio.

No contexto nacional, uma pesquisa conduzida entre maio e junho de 2020 pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP mostrou que, durante a pandemia da Covid-19, as mulheres foram as mais afetadas psicologicamente, apresentando 40,5% de sintomas de depressão, 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse.

Nessa discussão, precisamos adotar um olhar que vai além da perspectiva biológica e considerar as condições de gênero, que sobrecarregam e impactam a saúde mental, implicando diferentes suscetibilidades e exposições a riscos específicos de sofrimento psicológico.

Além do perfil multitarefa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que consequências negativas podem se associar a violências domésticas e reprodutivas, desvantagem socioeconômica, educacional e em termos de oportunidades no mercado de trabalho, status social baixo ou subordinado, responsabilidade incessante pelo cuidado de outras pessoas, padrões irreais de estética, entre outros. Os obstáculos são ainda maiores para mulheres negras e periféricas, submetidas a outros contextos de discriminação.
Tais dados evidenciam a necessidade de fortalecermos a conscientização individual e coletiva sobre a importância da prevenção ao sofrimento psíquicos entre as mulheres. Um primeiro passo para edificar essas iniciativas de informação é o levantamento Caminhos em Saúde Mental, feito pelo Instituto Cactus, em parceria com o Instituto Veredas.Esse trabalho promove um apanhado sobre os principais consensos nacionais e internacionais em saúde mental, bem como um resgate histórico do tema no país. Por meio de um olhar dedicado a grupos negligenciados, como mulheres e adolescentes, o material convida à construção de estratégias e políticas públicas de atuação em esforços conjuntos de governos, academia, setores de saúde e assistência, além da sociedade civil.

Vamos amplificar o debate sobre saúde mental e normalizar a conversa sobre o tema, pavimentando o olhar e o investimento na área e atuando preventivamente no cuidado com a saúde mental da mulher?

Fonte: Saúde Abril / Maria Fernanda Quartiero é diretora-presidente do Instituto Cactus, e Luciana Barrancos é gerente executiva da mesma entidade voltada à saúde mental.

Prefeito Mário Alexandre e Soane Galvão entregam gripário na UPA da Conquista; unidade é referência em Ilhéus


 // Seções

Prefeito Mário Alexandre e Soane Galvão entregam gripário na UPA da Conquista; unidade é referência em Ilhéus

O equipamento de saúde vai funcionar na UPA e visa atender pacientes com sintomas gripais de leve a grave complexidade

Leia em: 2 minutos

O gripário de Ilhéus foi entregue na última 6ª feira (4.fevereiro) pelo prefeito Mário Alexandre, que visitou as instalações acompanhado de secretários (Soane Galvão e André Cezário) e vereadores. O equipamento de saúde vai funcionar na UPA (Unidade de Pronto Atendimento da Conquista) e visa atender pacientes com sintomas gripais de leve a grave complexidade.

O prefeito ressaltou a importância da abertura do centro de referência para garantir ampla assistência à população e diminuir a pressão sobre as unidades de saúde do município. “Mais um trabalho realizado para salvar a vida das pessoas. Com o apoio do Governo da Bahia, montamos o gripário, que conta com atendimento ambulatorial e toda assistência necessária para prestar um serviço de qualidade, com leitos de hidratação e semi-intensivos. Mais uma vez Ilhéus é referência em saúde para toda a nossa região”.

O gestor frisou ainda que os cuidados contra a Covid-19 precisam ser mantidos. A nova estrutura complementa a rede de urgência e emergência da cidade e presta assistência em regime de plantão 24 horas, dispondo de sala para medicação; hidratação; leitos de retaguarda, montados com monitores, ventiladores mecânicos e suporte de oxigênio intensivo; além da coleta diária de teste rápido e RT-PCR para detecção da Covid-19, no turno da manhã.

 // Seções

Prefeito Mário Alexandre e Soane Galvão entregam gripário na UPA da Conquista; unidade é referência em Ilhéus

O equipamento de saúde vai funcionar na UPA e visa atender pacientes com sintomas gripais de leve a grave complexidade

Leia em: 2 minutos

O gripário de Ilhéus foi entregue na última 6ª feira (4.fevereiro) pelo prefeito Mário Alexandre, que visitou as instalações acompanhado de secretários (Soane Galvão e André Cezário) e vereadores. O equipamento de saúde vai funcionar na UPA (Unidade de Pronto Atendimento da Conquista) e visa atender pacientes com sintomas gripais de leve a grave complexidade.

O prefeito ressaltou a importância da abertura do centro de referência para garantir ampla assistência à população e diminuir a pressão sobre as unidades de saúde do município. “Mais um trabalho realizado para salvar a vida das pessoas. Com o apoio do Governo da Bahia, montamos o gripário, que conta com atendimento ambulatorial e toda assistência necessária para prestar um serviço de qualidade, com leitos de hidratação e semi-intensivos. Mais uma vez Ilhéus é referência em saúde para toda a nossa região”.

O gestor frisou ainda que os cuidados contra a Covid-19 precisam ser mantidos. A nova estrutura complementa a rede de urgência e emergência da cidade e presta assistência em regime de plantão 24 horas, dispondo de sala para medicação; hidratação; leitos de retaguarda, montados com monitores, ventiladores mecânicos e suporte de oxigênio intensivo; além da coleta diária de teste rápido e RT-PCR para detecção da Covid-19, no turno da manhã.

ONDE DEVO IR?
Pessoas que apresentarem sintomas gerais, excluindo o quadro respiratório, devem procurar o PA da Zona Sul e os hospitais conveniados ao SUS Hospital São José, COCI e Hospital Regional Costa do Cacau. Já as crianças com ou sem sintomas gripais devem se dirigir ao Pronto Socorro Pediátrico do Hospital Santa Dulce, antigo Hospital Vida Memorial.

Conforme a Secretaria de Saúde (Sesau), são considerados sintomas gripais de leves a graves: dor de cabeça, dor de garganta, coriza, tosse, dificuldade para respirar, pressão ou dor no tórax, febre alta e lábios azulados. Além da abertura do gripário e do avanço da vacinação, é essencial que a população mantenha as medidas de prevenção contra a Covid-19, com uso de máscara de proteção, higienização das mãos e distanciamento físico. 

Fonte: Pauta blog

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Representatividade das mulheres na política.

 





Nos últimos anos, o Brasil vivenciou uma progressão no debate público em torno das questões femininas. Temas comassédioabortomaternidade e carreira, vem sendo discutidos amplamente na sociedade e ganhando espaço no cenário político. A luta pelo direito das mulheres vem progredindo não só no Brasil, mas em todo o mundo. Alguns avanços já foram conquistados nas última décadas, como o direito ao voto e o direito de serem eleitas. Porém, no que tange a representatividade das mulheres na política, esse debate ainda se encontra muito distante do desejado.

Muitas mulheres ainda têm dificuldades de ocupar cargos de poder, serem eleitas ou terem voz ativa nas tomadas de decisões políticas. Isso acontece devido à exclusão histórica das mulheres na política e que reverbera, até hoje, no nosso cenário de baixa representatividade feminina no governo.

Mulheres na política do Brasil

Segundo o Inter-Parliamentary Uniono Brasil é um dos piores países em termos de representatividade política feminina, ocupando o terceiro lugar na América Latina em menor representação parlamentar de mulheres. No ranking, a nossa taxa é de aproximadamente 10 pontos percentuais a menos que a média global e está praticamente estabilizada desde a década de 1940. Isso indica que além de estarmos atrás de muitos países em relação à representatividade feminina, poucos avanços têm se apresentado nas últimas décadas.

Esse cenário se observa em todas as esfera do poder do Estado. Desde as câmaras dos vereadores até o Senado Federal, essa taxa de representatividade ainda permanece muito baixa, mesmo em um cenário no qual 51% dos eleitores são mulheres. O quadro abaixo, com dados de 2016, mostra como o número de mulheres na política é baixo no Brasil. Como você pode ver, naquele ano, apenas um cargo de governo estadual era ocupado por mulher, hoje a situação não é muito diferente, apenas dois governos estaduais não são governados por homens.



Diante desse quadro, percebe-se que as mulheres não têm alcançado as esferas de poder do Estado de maneira igualitária, o que as deixa à margem dos processos de elaboração das políticas públicas. Ou seja, as mulheres não se encontram devidamente representadas nesse sistema político vigente.

Embora existam cotas eleitorais (lei que assegura uma porcentagem mínima de 30% e máxima de 70% a participação de determinado gênero em qualquer processo eleitoral vigente) esse mecanismo pouco tem contribuído para melhorar a atuação e a chegada das mulheres aos cargos do governo brasileiro. Como dissemos anteriormente, o percentual de mulheres no poder permanece quase o mesmo desde 1940.

Além disso, muitas das candidatas que se inscrevem na lista de cotas partidárias são consideradas candidatas laranjas, ou seja, são mulheres que não têm interesse em pleitear um cargo político, estão ali só para cumprir o coeficiente necessário que os partidos devem ter para serem considerados legais no processo eleitoral. Algumas nem chegam a fazer campanha política e também não obtém votos qualificados.

Dessa forma, a aplicação das cotas vem sendo questionada em relação a sua eficácia no Brasil, pois confere a responsabilidade dos partidos para a promoção da paridade de gênero, mas não tem alcançado uma participação igualitária nos partidos.

Como melhorar a representação das mulheres na política?

Diante desse cenário, algumas ações foram tomadas com a finalidade de contribuir para a inclusão e a representatividade das mulheres no meio público. Uma das ações que merece destaque é a Plataforma 50-50 lançada pelo Instituto Patrícia Galvão (IPG) e o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades da Universidade de Brasília (Demode/UnB) para as eleições municipais. O principal objetivo do projeto é contribuir para uma maior igualdade entre homens e mulheres no processo eleitoral. Para isso, os candidatos e candidatas assumem compromissos com a igualdade de gênero.  A iniciativa conta com a parceria do Tribunal Superior Eleitoral e da ONU Mulheres.

Agenda 50-50 é um projeto que entende que as políticas públicas são primordiais para o exercício da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres. Por isso, é imprescindível que homens e mulheres possam participar e contribuir para a elaboração dessas políticas, e assim, construir uma cidade melhor, com mais representatividade para todos.

Embora nos últimos anos tenhamos progredido em alguns aspectos em relação às questões dos direitos das mulheres, percebemos que na atuação política, muito ainda precisa ser feito. A desejada igualdade de gênero está em progresso e ações afirmativas como a Plataforma 50-50 estimulam o debate e contribuem para que possamos reparar essa desigualdade construída historicamente.  

Vale destacar ainda, que mesmo com a importância das iniciativas de ações afirmativas, essas não se configuram como meio e fins únicos para a viabilização de mais mulheres na política. Para isso, é necessário que os políticos, os partidos e o Estado se comprometam com uma agenda mais igualitária e que a sociedade civil consiga estimular e exigir uma mudança nesse cenário.


Referências do texto: confira aqui onde encontramos dados e informações!

BUENO, Juliana Moura. Ainda precisamos falar sobre as mulheres na política. 2017. 

REZENDE, Daniela Leandro. Desafios à representação política de mulheres na Câmara dos Deputados. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 23, n. 3, p. 1199-1218, set. 2017

ROSSI, M. Brasil, a lanterna no ranking de participação de mulheres na política

SENADO FEDERAL. + Mulheres na Política . Brasília: Procuradoria Especial da Mulheres. 

Senado Federal – Tabela


por: karoline Florentino





A saúde da beleza é violência de gênero

 

Abdominoplastia para reduzir as gorduras do abdômen; Mini lifting facial para rejuvenescimento facial; Lipoaspiração para eliminar gorduras localizadas; Mamoplastia de aumento ou redutora dos seios; Blefaroplastia para rejuvenescer a aparência das pálpebras; Rinoplastia para corrigir a aparência no nariz, Otoplastia para as orelhas; Frontoplastia para remodelar a testa; Gluteoplastia para aumentar o tamanho do bumbum; Botox para rugas, marcas de expressão, sombrancelhas; Bioplastia para aumento de lábios, queixo, mandíbula, maçãs do rosto; Braquioplastia para eliminar flacidez ou pele da região do braço, Rejuvenescimento das mãos a laser ou cirúrgica; Ninfoplastia ou labioplastia cirurgia para retirada ou enchimento nos grandes lábios e de aparência da vagina; Rejuvenescimento Vaginal para o canal da vaginal ser mais apertado e estreito, etc, etc, etc…. Poderia preencher páginas e páginas com nomes de procedimentos estéticos aqui… e, inclusive acho que exagerei, mas essa introdução é apenas uma ilustração dos inúmeros procedimentos da Saúde Estética em nome da beleza existentes para o público majoritariamente Mulheres.

Essas são algumas intervenções cirúrgicas propostas pela medicina para a “saúde” e beleza da mulher no nosso país e no mundo, hoje em nome da “autoestima” e “saúde” você pode mudar qualquer parte do seu corpo, claro que se tiver como bancar, será mais rápido e seguro, já que esses procedimentos costumam ser caros e quem acaba consumindo é a classe média, alta do país. Contudo, muitas mulheres pobres impulsionadas pela mídia da beleza e da saúde como estética, acabam buscando essas intervenções com ofertas mais populares, em outros países sempre com o slogan de milagres, mas nem sempre tem o resultado desejado que viu na celebridade no Instagram, pior ainda quando termina em morte.

Segundo a Sociedade internacional de Cirurgia Plástica Estética – ISAPS, o Brasil em 2018 fez 1.498.327 cirurgias estéticas, somos hoje o país com mais procedimentos estéticos do mundo, seguido pelos Estados Unidos, Alemanha e Itália. Segundo o estudo, 87.4% dos pacientes no mundo todo, são as mulheres que mais buscam pelos procedimentos estéticos.

Uma pesquisa de doutorado da UNIFESP, defendida em 2017, antes desses dados serem divulgados pelo ISAPS, apresentou que “mais de 90% das certidões de óbito de pessoas que faleceram após passarem por lipoaspiração não trazem informações precisas. O preenchimento incorreto dificulta estabelecer a real causa da morte.”

Os dados fazem parte da tese de doutorado de Di Santis, defendida no Programa de Pós-Graduação em Saúde, baseada em evidências, na Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) – Campus São Paulo. O trabalho reacendeu, entre os especialistas, um antigo debate para a criação de um projeto de lei que torne obrigatória a notificação de casos de complicações e mortes por lipoaspiração em todo o território nacional.

O pesquisador Érico Pampado Di Santis explica em sua tese que falta informações precisas sobre a causa de mortes nesses procedimentos estéticos e que 98% das vítimas são mulheres.

A beleza do corpo, especialmente o feminino, é regulamentada por uma norma rígida e única: a magreza. Não existe alternativa legítima a esse modelo. Impossível realmente imaginar uma pin-up, uma estrela, uma top model, enfim, que não corresponda ao imperativo da magreza absoluta. É o modelo da hipermagreza. A moda tornou-se mais tolerante. A beleza, ao contrário, tornou-se mais despótica, autoritária e inflexível. A proliferação de imagens – cinema, televisão, fotos, publicidade – reforça o modelo dominante e castiga qualquer divergência. A consequência disso é a hiperdimensão tomada pelas dietas, pelas academias de ginástica e pelas cirurgias plásticas. Ser magro é um imperativo categórico. Toda infração à norma é malvista e criticada. (LIPOVETSKY, 2016, p.12).

Vale tudo para alcançar esse corpo construído continuamente como aquele que é sinônimo de felicidade, beleza, saúde. Conquistar esse corpo magro, enaltecido socialmente, é um tipo de status e, para lograr essa conquista, como um prêmio, vale qualquer coisa.

Nosso corpo é considerado um portfólio de apresentação, define quem somos ao outro, que nos julga através do que vê. Sendo assim, emagrecer é um imperativo central na vida da maioria das mulheres, com motivação estética e do discurso vigente de saúde.

O mercado do emagrecimento lucra com um exército industrial para atender à ordem de ter um corpo magro e malhado, são chás, shakes, pílulas, programas, dietas e receitas milagrosas que prometem resultados rápidos e sem consequências para a saúde, mas que não cumprem o que garantem.

A discussão do emagrecimento, das dietas e dos produtos para alcançar um corpo com saúde saiu dos consultórios e laboratórios e ocupou o cotidiano das pessoas. Em todos os espaços sociais existem conversas sobre receitas e controles sobre o corpo, destacando-se como atingir isso rapidamente. (JIMENEZ-JIMENEZ, 2020, p. 119)

O mercado do emagrecimento apoia-se na mídia e boca a boca, e as matérias sensacionalistas que vemos sobre a epidemia da obesidade colaboram para essa busca frenética e, consequentemente, a venda de produtos que deixem o corpo menor, magro, firme, branco, atrativo, etc.

A saúde da beleza é violência de gênero, porque em nome da saúde e da imposição desde pequenas em todas as instituições que frequentamos é exigido, ensinado e impulsionado o consumo de uma construção de corpo “perfeito” sem a verdadeira seriedade e riscos que todos esses procedimentos acarretam como violência na mulher.

Dormir com fome, ter muitas dores nas cicatrizações das cirurgias, malhar até a exaustação, etc… são alguns exemplos corriqueiros que a maioria das mulheres já experimentaram para alcançarem o corpo que nos vendem como saudável, feliz e belo… isso é violência de gênero também!

 

Para Consultar

 

– DI SANTIS, Érico Pampado. Mortes relacionadas à lipoaspiração no Brasil entre 1987 e 2015. 2017. 215 f. Tese (Doutorado em Ciências) – Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2017.

– Sociedade internacional de Cirurgia Plástica Estética. Disponível em: https://www.isaps.org/pt/

– JIMENEZ-JIMENEZ, Luisa, Maria. Por que a BELEZA é tão importante para as MULHERES? 2018. (Blog/Facebook). Disponível em: https://www.todasfridas.com.br/2018/11/12/por-que-a-beleza-e-tao-importante-para-as-mulheres/

– JIMENEZ-JIMENEZ, Luisa, Maria. Lute como uma gorda: gordofobia, resistências e ativismos. 2020. Doutorado (Programa de Pós Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea – ECCO) – Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. Cuiabá, MT, Brasil. Disponível em: http://lutecomoumagorda.home.blog/tese-de-doutorado-lute-como-uma-gorda-gordofobias-resistencias-e-ativismos/

– WOLF, Naomi. O mito da beleza: Como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.

 por:  | Todas Fridas