O grupo J&F, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, pagou R$ 25,9 milhões a uma empresa que comprou a participação da família do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), no resort Tayayá, no Paraná. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de
Atividades Financeiras) aponta que a J&F fez uma única transferência à
empresa PHB Holding no intervalo de 5 de fevereiro a 6 de outubro de 2025,
segundo o jornal. O documento não informa a data exata do pagamento. Nesse
período, em 21 de fevereiro, a PHB comprou as cotas da família Toffoli no
resort. A PHB pertence a Paulo Humberto Barbosa, que advogou para a empresa e
para os irmãos Wesley e Joesley Batista em causas tributárias no TJ-GO
(Tribunal de Justiça de Goiás) e na Secretaria de Fazenda estadual.
Barbosa também divide uma empresa, a Petra
Participações, com Gabriel Paes Fortes, genro de José Batista Jr., irmão mais
velho de Joesley e Wesley, e com Renato Costa, executivo da Friboi. Documentos
da Junta Comercial do Paraná mostram que, em 21 de fevereiro de 2025, a PHB
comprou as cotas do resort que pertenciam à Maridt, empresa que pertence a
Toffoli e era administrada por dois de seus irmãos.
A compra da participação foi feita em duas empresas
envolvidas na administração do empreendimento: a Tayayá e a DGEP. Segundo o
registro, a PHB teria pagado R$ 3,6 milhões à Maridt.
Toffoli já afirmou publicamente que é um dos sócios
da Maridt e que a venda das cotas foi feita "dentro do valor de
mercado". Procurado nesta sexta-feira (20), o gabinete do ministro afirmou
que "a empresa se relacionou exclusivamente com a PHB Holding".
Paulo Humberto Barbosa afirmou a O Estado de S.
Paulo que recebeu o pagamento da J&F por serviços de advocacia e nega que o
dinheiro tenha relação com a compra do Tayayá, que ele disse ter sido fechada
em dezembro de 2024. O empresário não respondeu aos contatos feitos pela Folha
no início da tarde desta sexta-feira (20) por telefone e Whatsapp. A J&F
declarou que o pagamento à holding de Barbosa foi referente a honorários de
advogado e que o grupo não é sócio do resort.
Por quatro anos, a empresa de Toffoli dividiu a
sociedade no resort Tayayá com um fundo de investimentos ligado ao Banco
Master, como revelou a Folha em janeiro deste ano. Esse envolvimento ampliou a
pressão sobre o ministro e culminou, em fevereiro, em sua saída da relatoria
das investigações sobre a instituição financeira no STF.
A Maridt, que pertence a Toffoli, vendeu uma parte
de suas cotas no Tayayá em 2021 ao fundo Arleen, que pertencia a uma teia
financeira do banco de Daniel Vorcaro —agora em negociação para uma delação
premiada. Em 2025, a empresa da família do ministro vendeu o restante de sua
participação à PHB Holding.
Investigadores que participam das apurações sobre o
caso Master afirmam ter detectado transferências de R$ 35 milhões do grupo de
Vorcaro em benefício de Toffoli. O ministro afirma que "suas movimentações
financeiras estão todas declaradas à Receita Federal do Brasil".
Nas investigações, a PF produziu um relatório que
aponta conexões de Toffoli com o Master e entregou o documento ao presidente do
STF, Edson Fachin. Na ocasião, os ministros da corte se reuniram para analisar
o material e manifestaram apoio a Toffoli. Ele se afastou da relatoria do caso,
mas não reconheceu conflitos de interesses.
O relatório do Coaf noticiado pelo jornal O Estado
de S. Paulo aponta uma transação considerada atípica de R$ 25.965.197 da
J&F Participações para a PHB Holding. O documento não diz para quem a PHB
transferiu os valores recebidos. Não há referência a Toffoli ou à Maridt.
Toffoli já foi alvo de críticas por ter suspendido, em dezembro de 2023, uma multa de R$ 10,3 bilhões da J&F por um acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Público Federal.
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