O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece mais uma vez à frente da disputa pelo Palácio dos Tiradentes. Levantamento da Doxa Pesquisa, divulgado nesta segunda-feira (22), revela um cenário fragmentado, marcado por uma liderança apertada, forte variação regional e um eleitorado distante do espectro político.
No
voto estimulado para o primeiro turno da eleição para governador de Minas
Gerais, Cleitinho aparece na dianteira, com 26% das intenções de voto, seguido
de perto pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que soma
21%.
Apesar
da vantagem numérica de Cleitinho, quase quatro em cada dez eleitores ainda não
escolheram um candidato. “Estamos falando de 39% dos eleitores que não se
posicionaram”, destaca Manuel Vilas Boas, diretor do Instituto Doxa, ao
comentar o contingente de eleitores que declararam votar em branco, nulo ou em
nenhum dos nomes apresentados ou que preferiram não responder à pesquisa.
Depois
de Cleitinho e Kalil, aparecem Gabriel Azevedo (MDB), com 9%, enquanto Mateus
Simões (PSD), atual vice-governador, e Tadeu Martins (MDB) registram 2%, cada.
O
diretor da Doxa observa que, fora os dois primeiros colocados, todos os demais
enfrentam níveis elevados de desconhecimento em praticamente todo o estado.
“Essa
indecisão é muito em função do desconhecimento dos candidatos colocados hoje.
Cleitinho tem muita presença nas redes sociais, Kalil já foi presidente do
Atlético e prefeito de Belo Horizonte. São os dois que largam à frente”,
afirma.
Cenários
- Quando o recorte é feito pelo porte dos municípios, a liderança de Cleitinho
se consolida nas cidades pequenas e médias. Nos municípios de pequeno porte, o
senador alcança 28%, dez pontos à frente de Kalil. Em cidades médias, a
diferença aumenta. Cleitinho chega a 30%, enquanto Kalil aparece com 15%.
Também é nesses municípios que o volume de eleitores sem posição definida (42%)
salta aos olhos.
O
cenário muda nos grandes centros urbanos. Nas cidades de grande porte,
Cleitinho e Kalil aparecem tecnicamente empatados, ambos com 25%. Gabriel
Azevedo mantém presença, com 7%, enquanto Mateus Simões sobe para 3%.
Já
em Belo Horizonte, a disputa assume outro desenho: Alexandre Kalil lidera com
folga, alcançando 34% das intenções de voto, seguido por Gabriel Azevedo, com
17%, e Cleitinho, com 16%.
Segundo
turno - As simulações de segundo turno reforçam o equilíbrio entre os
principais nomes. No confronto direto entre Cleitinho e Kalil, o senador
aparece com 31%, contra 30% do ex-prefeito. A diferença está dentro da margem
de erro, enquanto 23% dos entrevistados afirmam que votariam em branco ou nulo,
e 16% não souberam responder.
O
detalhamento regional dessa simulação mostra Cleitinho à frente em cidades
pequenas e médias, enquanto Kalil supera o adversário nos grandes municípios e
amplia a vantagem em Belo Horizonte, onde alcança 46%, contra 23% de Cleitinho.
Em
um segundo cenário de segundo turno, sem Cleitinho, Alexandre Kalil lidera a
disputa contra o vice-governador, Mateus Simões, com 32% das intenções de voto,
ante 14% do oponente. Mais da metade do eleitorado (54%) permanece sem uma
posição.
Pesquisa
- A pesquisa também procurou entender o que o eleitor espera do próximo
governador de Minas. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirma desejar uma mudança
nas políticas públicas adotadas pela atual gestão.
O
sentimento de mudança, na avaliação do diretor do Instituto Doxa, esvazia o
discurso de continuidade e pode dificultar a estratégia de Mateus Simões. “Todo
candidato à reeleição tem uma ligação intrínseca com a avaliação do governo, e
o governador não está bem avaliado. Com uma avaliação baixa do governo Zema e
um eleitorado inclinado à mudança, o espaço para um candidato de oposição fica
aberto”, analisa.
O
levantamento investigou ainda a postura ideológica do candidato a governador
que o eleitor prefere apoiar. O resultado aponta para um eleitorado
majoritariamente indiferente a rótulos políticos: 47% dizem não se importar com
a posição ideológica do candidato.
“São esses eleitores que vão decidir a eleição, tanto para governador quanto para presidente”, avalia Vilas Boas. Dentre os que se posicionam, 28% afirmam preferir um nome identificado com a direita, enquanto 17% optam pela esquerda, e apenas 7% se dizem alinhados ao centro. Por Alexandre Guzanshe.
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